JMJ Rio2013 deixa Polo de Atenção Intensiva a Saúde Mental como legado social

Publicado em 24 de julho de 2013 Por 1 Comentário

Um dos legados sociais da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013) será inaugurado dia 24 de julho. O Hospital São Francisco da Providência de Deus vai inaugurar a ala psiquiátrica, que recebe o nome de Polo de Atenção Intensiva à Saúde Mental (PAI), destinada ao tratamento dos dependentes químicos com a visita do Papa Francisco. Inicialmente com 40 leitos e previsão de oferecer mais 40 no futuro, o projeto tem o objetivo de dar atenção integral e intensiva ao paciente e sua família. O paciente em crise terá atendimento emergencial e clínico, leito de internação e terapia ocupacional.

O PAI, que funcionará em um dos oito prédios do Hospital, é uma rede que complementa o trabalho de atendimento, acompanhamento e recuperação dos dependentes químicos feito por aproximadamente 22 entidades católicas na arquidiocese do Rio de Janeiro.  Como esses grupos trabalhavam cada um por si, se viu a necessidade de formar essa rede para suprir algumas necessidades, segundo Cônego Manuel Manangão, responsável pela Pastoral da Caridade e coordenador do Legado Social da JMJ Rio2013 e Ítalo Marsili, médico e diretor do Polo.

“Nós entramos para compor um cenário que já existe há anos.  Nós vamos dar assistência complexa ao dependente químico. O nosso diferencial é o método. Acreditamos que a natureza humana fica degradada com o uso das drogas e queremos resgatar no coração dessa pessoa os valores perdidos, fazer com que ela ache o sentido da vida. Vamos fazer uma espécie de curso antropológico, de uma forma que ele entenda, para que ele descubra o que é o homem e o que se pode esperar dele. Buscamos trabalhar com o que há de mais moderno na saúde, mas com essa visão integrada. Nós atuamos tanto no corpo quanto na dimensão transcendente do paciente, resgatando a capacidade de amar dele”, declara Ítalo.

Apesar de ser dedicado a recuperação de dependentes químicos, o PAI atenderá qualquer pessoa com problema de saúde mental que precise de tratamento emergencial. O projeto prevê cerca de 200 palestras mensais aos familiares do paciente para que possam dar continuidade ao tratamento iniciado no polo. O combate a dependência química se dará em três instâncias: primeiro a prevenção junto às comunidade, oferecendo uma outra opção de vida, depois interligar o Hospital com as casas de recuperação, onde o paciente poderá ficar até sair totalmente da dependência, e por último a capacitação para a vida, fazendo com que ele se torne um ser novamente produtivo.

O tratamento também terá uma dimensão religiosa no sentido amplo da palavra. Frei Paulo Batista, diretor do hospital, explica que este aspecto nada mais é do que realizar um trabalho de humanização. “Presença, orações, espiritualidade, acompanhamento e humanização. O objetivo é fazer com que o dependente químico volte a sua vida social. Queremos que o paciente seja, o mais rápido possível, inserido na sociedade”, diz o Frei.

O cônego Manuel acrescenta a essa explicação um fato muito significativo. De acordo com pesquisas feitas pela organização espanhola Proyecto Hombre, quem passa por uma clínica de dependência química que oferece elementos vinculados a espiritualidade tem maior capacidade de recuperação e menor possibilidade retorno ao vício. “Vamos oferecer uma experiência profunda de vida em Deus que pode ajudar a pessoa a não ficar mais só na realidade da fragilidade humana. Todos serão acolhidos, seja de qualquer religião. A grande proposta é oferecer à sociedade a possibilidade de termos um centro integrado, que permita o homem redescobrir a sua beleza”, reitera o coordenador do Legado Social.

O Hospital S. Francisco da Penitência de Deus, antigo Hospital Venerável Ordem Terceira, tem atualmente um complexo hospitalar de 8 prédios e aproximadamente 400 leitos de internação, sendo 60 deles destinados para emergência pública em parceria com o Estado do Rio de Janeiro. Já está em negociação a parceria entre o Sistema Único de Saúde e o Hospital para dar atendimento gratuito a sociedade. Por enquanto, apenas os Operadores de Saúde estão confirmados para atuar no local. Mas Frei Paulo garante que ninguém será rejeitado. “É um hospital da Igreja Católica. Nosso carisma é repetir o abraço de São Francisco aos leprosos de hoje.  A ideia é dar saúde para quem não tem”, afirma.

O coordenador do Legado Social da Jornada confessou que tem planos mais altos para o PAI. “Temos a possibilidade de fazer com que essa unidade hospitalar seja no futuro um polo de formação de técnicos nessa área, todos especializados em lidar com dependentes químicos. Vamos inaugurar o projeto, que é o legado, mas o sonho é transformar o hospital em um lugar de residência médica na área”, finaliza o Cônego.

Fonte: JMJ Rio2013

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