Quinta-feira Santa: a alegria, missão e dor da Igreja se encontram…

Na Quinta-feira Santa celebra-se a instituição da Sagrada Eucaristia e também do Sacramento da Ordem.

Duas instituições que bem mereceriam comemorações de alegria. Contudo, os festejos são evitados. O clima de dor, o ambiente de luto da Semana Santa leva a que estas manifestações de júbilo não sejam exteriorizadas. Por isso mesmo, a festa pela instituição da Sagrada Eucaristia foi transferida para a ocasião da solenidade de Corpus Christi, algum tempo depois da data da instituição dela na Santa Ceia. Ficando a celebração como meditação do ensinamento desse amor serviço, guardado nesses dois Sacramentos instituídos: Ordem e Eucaristia… Nesse dia se costuma celebrar duas missas: uma Missa matutina e uma Missa noturna.

Na missa matutina, também chamada Missa do Crisma, o bispo na catedral celebra o rito da Benção dos Santos Óleos: o óleo dos enfermos, o óleo do Santo Crisma e o óleo do Batismo.  Nessa ocasião, os presbíteros renovam as suas promessas, manifestas no dia de sua ordenação.

Na missa noturna, a Igreja parece, por um instante esquecer a sua dor para festejar o grande mistério da Eucaristia: no princípio da missa, celebrada pela tarde/noite, nota-se o caráter jubiloso: toca-se o órgão e repicam os sinos ao Glória in excelsis Deo, para se calarem logo depois até o Glória do Sábado de Aleluia. Este emudecer dos sinos tem um significado muito importante, pois relembra o mutismo dos apóstolos: ficaram calados em toda a paixão em vez de se erguerem a voz para defesa do seu Mestre, como lhes competia. No final dessa celebração, não se tocam mais os sinos em sinal da grande tristeza por causa da Paixão e morte do Salvador.

No decorrer dessa celebração, após a homilia, segue-se a cerimônia, chamada de Lava-Pés em memória do ato que praticou Nosso Senhor antes instituir a Santíssima Eucaristia (Jo 13, 1-17). Com esse gesto, Jesus queria ensinar aos apóstolos e aos seus sucessores, bem como a toda a Igreja,  que a pureza e a humildade são dois  traços  essenciais, que garantirão o êxito da missão. Esse gesto desperta toda Igreja para o fato de que a missão de Cristo só poderá ser levada adiante, na medida que acolher e guardar o Mandamento do amor, conforme o Cristo viveu: Ele  que veio para servir e não ser servido. Os presbíteros  lava os pés a doze pobres. Depois, enxuga-os. Beija-os com respeito, mesmos sentimentos de humildade e caridade que tinha o Salvador Jesus.

A Transladação do Santíssimo Sacramento

No final da celebração, a alegria do início termina com um profundo sentimento de luto, manifesto com o Sacrário totalmente vazio. Por este motivo, consagra-se na quinta-feira a quantidade de hóstias suficientes para a comunhão destes dois dias seguintes em que a Igreja não celebra missa. No final dessa celebração o Santíssimo é colocado num Lugar a parte e se segue um profundo silêncio, a alegria inicial se mistura com o luto. É o silêncio do órgão, dos sinos e das campainhas, substituídas pela matraca, para lembrar a traição de Judas.  Deixa-se aberta a porta do tabernáculo, para indicar que não está presente o Hóspede Divino. As nossas adorações dirigir-se-ão, portanto, daí em diante, à cruz salvadora e é diante dela que faremos as nossas genuflexões e a próxima celebração da sexta feira Santa.

Enfim, ao celebrar  a instituição da Eucaristia, como expressão máxima do Novo Mandamento vivido e entregue a nós por Jesus, em forma de Pão da vida que alimenta, através de uma vida solidária com os pobres e necessitados. Não podemos esquecer essa dimensão corajosa da Igreja,  expressa por Madre Teresa de Calcutá que, com a autoridade do seu impressionante testemunho de dedicação aos mais abandonados da sociedade, dizia: “A hora santa diante da Eucaristia deve nos conduzir até a hora santa diante dos pobres. Nossa Eucaristia é incompleta se não levar-nos ao serviço dos pobres por amor.”

Quer saber mais sobre a Semana Santa? Você é convidado a acompanhar e a celebrar a Semana Santa com o Jovens Conectados. As reflexões, as orações e os propósitos desta campanha, irão lhe ajudar a mergulhar no mistério maior da nossa fé, que é a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Convide os jovens de seu grupo, pastoral, movimento ou comunidade para também abraçarem esta iniciativa, que trará muitos frutos para a nossa espiritualidade e vivência de fé!

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Por Dom Nelson Francelino Ferreira, bispo da Diocese de Valença (RJ), Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude – CEPJ

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