Publicação reúne dados de 11.498 adolescentes e jovens e oferece subsídios para a reflexão e o planejamento da ação evangelizadora junto às juventudes
A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a FTD Educação, lançou o livro do relatório completo da Pesquisa Nacional: Evangelização da Juventude no Brasil – 2025. A publicação foi apresentada no final de setembro, durante o Encontro Nacional de Revitalização da Pastoral Juvenil, dando continuidade à divulgação dos resultados iniciada em junho deste ano, quando foi apresentado o relatório parcial.
O estudo reúne dados de 11.498 adolescentes e jovens, de todas as regiões do país, e busca contribuir para uma compreensão mais ampla das realidades, experiências, desafios, expectativas e vivências de fé das juventudes. A coleta foi realizada entre maio e julho de 2025, por meio de questionário on-line estruturado.
A pesquisa foi realizada pela Comissão Episcopal para a Juventude em parceria com o Observatório Juventudes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília (UCB) e o Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Uma escuta das juventudes
O relatório foi elaborado como instrumento de escuta das juventudes e está inserido no processo de reflexão e revisão das orientações da Igreja para a evangelização dos jovens. A pesquisa procurou reunir informações que ultrapassam a participação religiosa e eclesial, contemplando diferentes dimensões da vida juvenil.
São 11 dimensões analisadas: dados demográficos, educacionais, socioeconômicos, familiares, socioculturais, saúde integral e bem-estar, juventudes e vulnerabilidades, projeto de vida e perspectivas de futuro, dados socioambientais, dados religiosos e espirituais e dados eclesiais e pastorais.
Na apresentação da publicação, a Comissão Episcopal para a Juventude destaca que os dados podem contribuir para estudos, conferências, artigos, seminários e para o planejamento da ação pastoral. “Para servir melhor às juventudes, precisamos conhecê-las, refletir sobre sua realidade, escutá-las e caminhar com os jovens e as jovens”, afirma Dom Vilsom Basso, presidente da Comissão para a Juventude.
O que os dados apresentam
Entre os participantes, 98,3% declararam-se católicos. A pesquisa também identificou uma forte presença dos jovens na vida comunitária e sacramental da Igreja. Entre os respondentes, 68,5% afirmaram frequentar regularmente a Igreja semanalmente e 25,1%, diariamente.
A família aparece como uma das principais referências na transmissão da fé. Pais foram mencionados por 46,4% dos participantes como referência para o conhecimento da fé, seguidos pelos avós, com 18,7%. A Igreja institucional aparece com 13,2%, enquanto amigos e internet registram percentuais próximos, de 6,4% e 6,3%, respectivamente.
Os dados também mostram a importância dos grupos juvenis como espaços de convivência e pertencimento. Entre as principais motivações para participar de grupos, pastorais e movimentos estão o conhecimento da fé (17,3%), a espiritualidade cristã (16,4%), o desejo de construir amizades (11%) e de sentir-se parte de algo maior ou sagrado (9,8%).
Ao mesmo tempo, a pesquisa identifica desafios para a participação. Entre os 538 jovens que afirmaram não participar de grupos, pastorais ou movimentos juvenis católicos, 55,3% apontaram a ausência de espaços compatíveis com sua faixa etária ou momento de vida como principal motivo. Outros 32,8% mencionaram dificuldades relacionadas a aspectos organizacionais, espirituais ou doutrinários das propostas existentes.
Participação e protagonismo juvenil
A pesquisa também buscou compreender como os jovens percebem seu espaço de participação na Igreja. Para 26,5% dos participantes, os jovens têm espaço para opinar e suas contribuições geram mudanças na maioria das vezes. Outros 23% afirmaram que a Igreja oferece espaço, mas há pouco interesse juvenil em participar; o mesmo percentual considera que os jovens são frequentemente mobilizados para executar tarefas, sem necessariamente participar dos processos de decisão.
Os resultados indicam, assim, a necessidade de continuar refletindo sobre escuta, corresponsabilidade e participação efetiva dos jovens nos processos pastorais.
A pesquisa também aponta que os jovens participantes valorizam os processos de formação. Mais da metade, 53,2%, afirma que os jovens participam ativamente do próprio processo formativo, enquanto 48,9% reconhecem o uso de metodologias participativas. Ao mesmo tempo, o relatório aponta possibilidades de avanço na atualização das linguagens e metodologias, especialmente no diálogo com a cultura digital.
Juventudes e realidade social
A investigação também apresenta aspectos relacionados às condições concretas de vida dos participantes. A maioria vive em áreas urbanas, correspondendo a 86,3% da amostra, enquanto 13,7% vivem em áreas rurais. A faixa etária predominante é de 18 a 24 anos, com 64,8% dos respondentes.
No campo do trabalho, 65,4% dos jovens declararam trabalhar, enquanto 30,6% não trabalham. Metade dos participantes (50,4%) estuda e trabalha simultaneamente. O relatório chama atenção para a necessidade de considerar essa realidade na organização das atividades pastorais, uma vez que as rotinas de estudo e trabalho interferem diretamente na disponibilidade para a participação comunitária.
Também foram identificadas diferentes configurações familiares. Apenas 30,9% dos participantes vivem em domicílios compostos por pai, mãe e irmãos, enquanto 69,1% vivem em outras configurações familiares. O dado integra uma das dimensões que ajudam a compreender as condições concretas nas quais os jovens vivem sua formação humana, social e religiosa.
Fé, formação e projeto de vida
Entre os temas que mais despertam interesse nos jovens católicos, santidade e fé cristã aparece em primeiro lugar, com 16,7%. Na sequência estão formação integral; mente, coração, espírito e prática, com 11,9%, e saúde mental, com 10,3%. Música, arte e cultura; diálogo entre fé e razão; e ética cristã também aparecem entre os temas citados.
Os resultados apontam para a importância de uma formação que considere a pessoa em suas diferentes dimensões e estabeleça diálogo com as questões concretas vividas pelas novas gerações.
Outro aspecto identificado pelo estudo é a presença do ambiente digital na experiência juvenil. Redes sociais, aplicativos de mensagens, comunidades virtuais e conteúdos religiosos fazem parte das formas contemporâneas de relacionamento, aprendizagem, busca de sentido e vivência da fé. O relatório também registra experiências de pertencimento religioso mediadas digitalmente, sem deixar de destacar a importância da convivência presencial, da vida comunitária e da celebração sacramental.

Um instrumento a serviço da pastoral juvenil
A Comissão Episcopal para a Juventude pretende que o relatório seja utilizado como subsídio por dioceses, Regionais da CNBB, pastorais, movimentos, novas comunidades, grupos juvenis e demais expressões que atuam junto às juventudes.
Para ampliar esse acesso, os Regionais da CNBB receberão uma remessa de mais de mil exemplares impressos da publicação. A versão digital do relatório também está disponível para download.
A proposta é que os dados possam alimentar processos de escuta, reflexão, formação e planejamento pastoral, ajudando a Igreja a reconhecer as diferentes realidades juvenis e a construir formas de acompanhamento mais próximas da vida dos jovens.
A publicação se apresenta, assim, como mais um instrumento para a missão da Igreja junto às juventudes. Conhecer os dados, refletir sobre eles e colocá-los em diálogo com a realidade de cada comunidade pode ajudar a fortalecer uma pastoral capaz de escutar, acompanhar e caminhar com os jovens e as jovens.
Acesse o relatório
O relatório completo da Pesquisa Nacional: Evangelização da Juventude no Brasil – 2025 está disponível em versão digital para consulta e download.


