Em preparação para Encontro Nacional, PJ reflete sobre a esperança

Publicado em 1 de julho de 2016 Por Seja o primeiro a comentar!

esperança

A Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude (PJ) que acontecerá em Crato, no próximo janeiro de 2017. Com intuito de preparar o caminho para esse encontro, a PJ lança uma série de reflexões. Nessa edição, a palavra que guia e orienta é esperança! E é sobre o “renovar a esperança”.

Confira:

Esperança é atitude ativa. A primeira pergunta que poderíamos fazer é: a Pastoral da Juventude no Brasil tem sido lugar, a partir dos grupos de jovens, de viver a esperança? Tem sido sinal de esperança? Em que momentos/gestos/práticas gera esperança a juventude? Evangelizar é, sobretudo, organizar uma ação que inspirada pelo projeto de Jesus, o filho de Deus, e iluminada pelo Espírito, faz acontecer a vida. E onde há vida, há esperança. Onde há esperança, há vida. O trocadilho nos ajuda e desafia a dizer que uma Evangelização centrada no Mestre de Nazaré deve ser geradora de esperança. Ele mesmo o fez em cada dia.

Em Caná – vinho novo com gosto de esperança

O capítulo 2 de João nos apresenta o “primeiro sinal” de Jesus. As comunidades joaninas partilham, nesse Evangelho, o que chamam de “7 sinais”. Não usam a expressão “milagres”. O sinal é uma manifestação, uma revelação. Sempre nos revelamos por sinais. A Pastoral da Juventude é renovadora de esperança a partir de sinais. Os sinais sempre exigem uma resposta. Jesus manifestou-se por sinais e convida a fazer experiências, dar respostas aos sinais: vem e vê! O vinho, nas bodas em Caná, se torna o princípio dos sinais de Jesus.

O vinho recebe três significados diferentes em sua nomenclatura (oinos): vida, esperança, alegria… Nesse texto o vinho aparece como uma metáfora. A frase de Maria pode ser entendida como: Eles não têm mais vida! Eles não têm mais esperança! Eles não têm mais alegria! O texto destaca as trevas em que vivia o povo da época. Ou, ainda: a denúncia de que o judaísmo, como corpo doutrinal, não teria mais respostas para o povo de Deus – estava esvaziado (talhas).

O casamento (núpcias) faz lembrar o livro do Êxodo, capítulo 19. Deus escolhe um povo para fazer aliança. Essa relação, com o passar do tempo, estava sendo desgastada. O amor foi substituído pela Lei. Jesus, em pessoa e projeto, é o vinho novo (Mc 2, 21- Mt 9, 14-17- Lc 5, 35-39). Jesus é o gosto de esperança de qualquer projeto de pastoral. Voltar-se para Jesus é um desafio cotidiano. Aqui precisamos pensar: qual Cristologia é geradora de esperança? O Messias servo, comprometido até a Cruz, ou o Messias mágico “que vai resolver nossos problemas”?

O grupo de jovens – esperança pintada de muita convivência, muita formação, muita oração, muita festa!
Não temos dúvidas de que no processo de Evangelização da Juventude o grupo é o lugar essencial. Nesse sentido, o grupo de jovens deve ser o espaço primeiro de renovar a esperança dos sujeitos envolvidos. Jovens e Assessores/as são provocados em cada encontro, na convivência, na formação, na reza e na festa/celebração produzir horizontes de esperança. Muitas vezes, o clima pesado e, até mesmo, pessimista nos toma conta. É hora de provocar o que a “crise” nos faz pensar. Nem todo encontro pode ser alegre e festivo, mas todos devem ser gestados com esperança. Mesmo os encontros que partilham as dores devem ser geradores de esperança por colocar em comunhão a dor que cada um carrega. Por isso, o compromisso em cada encontro do grupo de jovens é importante. O que essa experiência me leva a gestar? É preciso cuidado para não cairmos no ativismo desenfreado, mas numa esperança que produz movimentos internos e externos.

Pedimos para 5 jovens – um de cada região do país – e uma assessora da PJ para partilhar conosco os sinais de esperança e de alegria da vivência em grupo. Partilhas fantásticas. Não iremos utilizar todo o texto, mas algumas expressões usadas por esses/essas jovens e assessora que nos desafiam a centralidade dos processos de educação na fé e formação integral vivida a partir dos grupos.

Viver no grupo é uma arte. No grupo se aprende a escrever e colorir nossa história de uma forma mais bonita, junto com tantos outros jovens, com suas lutas, sonhos e utopias! A Utopia mora em cada jovem, assim como a esperança! Viver em grupo é amar, respeitar, perdoar, dividir alegrias e tristezas, aceitar o diferente com igualdade e o igual com respeito… saber que nunca se está só. Que sempre possamos abraçar, amar, cuidar uns dos outros, tendo Jesus como exemplo, que nunca seguiu sua caminhada sozinho. – Rafaela Dellagostin – Erechim/RS.

No mundo hoje, cada vez mais rápido, mais cheio de informações, penso que o grupo de jovens tem um desafio: desacelerar o que está muito rápido e ‘humanizar’. As alegrias no grupo, no meu limitado ver, está na experiência de ter um pouco mais de contato entre um jovem e outro. Ouvir ambos e fazer com que haja um diálogo entre pontos de vista diferentes. A esperança no grupo é fazer com que o jovem pense no outro como o Cristo vivo, e o trate como se realmente o fosse. Fazer com que o jovem cuide do outro, se importe e saiba pedir e/ou dar um abraço na hora certa. O que vemos são pessoas que correm de um lado para o outro, ocupados, atarefados. Jovens que estudam, trabalham, dão o seu melhor para ser alguém mas que se esquecem da pessoa que está do lado. Então, a esperança é fazer com que o jovem desacelera e olhe pra pessoa que está do lado. Partilhe com essa pessoa. Rodrigo Oliveira – Rio Verde/GO

“Deixa-me ser jovem não me impeça de lutar, pois a vida me convida a uma missão realizar”. Foi essa canção que me faz apaixonar pela Pastoral da Juventude. Entrei na PJ em 1992, quando, naquele ano, a CNBB lançou a Campanha da Fraternidade: Fraternidade e Juventude. Foi um encantamento arrebatador! Conheci uma Igreja acolhedora de jovens. Como cristã comprometida com a comunidade, entendi que ser jovem na Igreja fazia muita diferença enquanto ser humano. E ser jovem, mulher e negra na PJ era uma grande alegria para Deus como todos/as os/as demais jovens da minha idade. Assim, tive muitas alegrias na PJ, mas a maior delas foi a de ser reconhecida como ser humano que tem direitos e é amada por Deus. A esperança que me movia e me move sempre é de que a vida poderia ser melhor se eu me capacitasse, estudasse e vivesse em grupo, pois independente de minha cor ou condição social eu podia conquistar o que eu quisesse. Que a vida em comunidade nos faz mais próximos de Deus e Deus mais próximo de nós. Hoje, na missão em Moçambique, onde atualmente vivo, é uma bonita consequência das alegrias e esperanças encontradas na PJ. Se eu, em 1992, acreditava que “a vida nos convida a uma missão realizar” eu sou a prova viva disso. Sou eternamente grata à PJ por tudo que me tornei. Foi a PJ que me fez ser a mulher que sou, em todo lugar, mas especialmente aqui em Moçambique. É aqui que testemunho esse Deus Pai e Mãe que a PJ me fez descobrir, amar e encontrar nos que me rodeiam. – Edina Lima Cardoso – Missionária Leiga em Mecuburi/Nampula – Moçambique/África.

Foi no grupo de base que aprendi a importância de sonhar e construir a vida da juventude em mutirão, e como é gostoso caminhar junto, aprender, ensinar e, acima de tudo: AMAR o próximo, assim como o nosso Mestre Jesus Cristo, nos ensinou, com a sua própria vida e seus ensinamentos. Como diz uma frase de um escritor que qual aprecio muito: “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si e levam um pouco de nós.” (Antoine de Saint’ Exupéry). Acredito com muita fé que o grupo de base deixa marcas profundas em nosso coração e em nossa alma, e a Pastoral da Juventude é isso: eternizar momentos que durarão para sempre em nossas lembranças, pessoas que passam pela nossa vida de forma única e inesquecível, e que nos mostram que ser Igreja Jovem, é sermos jovens profetas e profetisas da esperança e do amor de nosso Mestre! – Vinícius Barbosa Sete – Limeira/SP

No coração, o que mais se sente, é a alegria e a esperança. Estar no serviço da Coordenação da PJ é doação e entrega: fazemos tudo por amor, que impulsiona e motiva. A cada dia são sempre novos passos, sonhos e olhares. Na caminhada continuamente temos medo, pois nas estradas que trilhamos sempre encontramos pedras e espinhos que dificultam, e tornam o passo a passo mais difícil. Por vezes, até o querer desistir vem à cabeça, mas em compensação vemos lindas flores que embelezam o caminho. Este caminho não trilhamos sozinhos, tem companheiros e companheiras que nos ajudam a colocar em prática tudo que sonhamos. Ver o rosto da meninada a cada lugar visitado é o que anima; sonhamos com um novo mundo possível e que a Pastoral da Juventude é um leque de possibilidades para a vida dos PJoteiros e das PJoteiras. – Ludymila Yanna – Crato/CE

Nossas alegrias decorrem nos olhares brilhantes daqueles jovens que, em meio a tantas atrocidades dos nossos tempos, ainda se fazem chama viva e fecunda de uma vida em comunidade, tendo assim a esperança de que um mundo melhor é possível a partir do protagonismo das vivências comunitárias. Aliás, é bem mais feliz e realizado aquele que partilha e celebra a vida na comunidade. – Henrique Barbosa – Manaus/AM

Em todos os cantos do país vemos/sentimos/acolhemos o testemunho dos sinais de esperança gerados pela Pastoral da Juventude. Não é pouca coisa! Como continuar e com mais intensidade? Como revitalizar essa ação nos grupos de jovens de todos os cantos? Onde buscar referências para isso? Lembramos, novamente, o primeiro sinal de Jesus em Caná: transformar a água em vinho – gestar esperança onde ela estava vazia. É preciso pensar grande. A Evangelização da Juventude precisa ser vinho novo de Jesus de Nazaré.

Esperança transformada em sinais – vinho novo em copos cheios de juventude!

Esperança não é uma atitude de acomodação. Esperança não é esperar passivamente. Paulo Freire, o maior pensador de educação no Brasil, ajudou a refletir esperança com o verbo “esperançar”. O verbo indica ação. Poderíamos dizer que é uma esperança prática. Nas palavras do mestre: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…”

Parece óbvio, mas é necessário também dizer o óbvio: a Pastoral da Juventude do Brasil é convidada a evangelizar num movimento de “esperançar”. Uma ação permanente que produza vida. Poderíamos dizer que a atitude de Jesus, em Caná, foi de esperançar. O vinho novo é esperança para os noivos e para a festa cananeia. A PJ precisa ser vinho novo na evangelização da juventude.

Esse “esperançar” poderia ser traduzido em tantas práticas. Vamos citar algumas delas, inspirados também na partilha que acompanhamos dos jovens e você pode continuar essa lista com tanta esperança que se torna vida em cada canto desse país:
– Esperança traduzida em grupos de jovens inseridos nas comunidades;
– Esperança em perceber que os grupos se tornam espaço de convivência, de acolhida, de amizade para a juventude;
– Esperança em saber que o grupo de jovens muda a vida, a partir das vivências, de todos aqueles que tomam a decisão de viver nesse lugar;
– Esperança em reconhecer que o grupo vence a cultura do individualismo e se torna, assim, profecia na medida que fala “a voz dos que não tem voz”;
– Esperança em ver tantos/as jovens empobrecidos/as reconhecendo na Pastoral da Juventude um lugar de esperança;
– Esperança em processos que nos educam na fé e, consequentemente, nos tornam mais humanos;
– Esperança em descobrir-se sujeitos de direitos e integrar espaços que garantem os direitos da juventude;
– Esperança na participação de tantos/as jovens da PJ em conselhos municipais, estaduais e até nacionais, garantindo a reflexão e a necessidade de se pensar a meninada como sujeito de direitos;
– Esperança em viver a vocação de assessor/a de jovens como um serviço e uma necessidade pastoral;
– Esperança em tantos leigos/as adultos, padres, religiosos/as que vivem a entrega no acompanhamento a juventude;
– Esperança em descobrir, escrever, partilhar e viver projetos de vida;
– Esperança em acreditar numa formação integral em todas as suas dimensões que se transformam em vida na vida da meninada;
– Esperança em um método carregado de esperança: ver – julgar – agir;
– Esperança em uma Pastoral que tem um caminho claro, uma identidade solidificada;
– Esperança em rezar dentro de uma Pastoral que assume a vivência da espiritualidade libertadora;
– Esperança que nasce da atitude profética de cultivar e cuidar da memória pessoal e coletiva…

A Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude seja tempo de esperança. De renovar a esperança na juventude. Caná nos inspira. Passando pelos Cananeus, continuamos caminhando, caminhando até a Galileia, até Crato/CE, até onde nossos pés puderem alcançar os jovens… O contador de histórias, mestre da utopia, Eduardo Galeano enche nosso coração de esperança ao dizer: Vivemos um mundo infame, eu diria. Não nos incentiva muito… Um mundo malnascido. Mas existe outro mundo na barriga deste. Esperando… E é um mundo diferente. Diferente e de parto complicado. Não é fácil o seu nascimento. Mas com certeza pulsa no mundo que estamos. Um outro mundo que “pode ser”, pulsando no mundo que “é”.
Amém!

Por Maicon Malacarne

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