Corpus Christi: Preparando o “tapete” do nosso coração

Publicado em 11 de junho de 2020 Por Seja o primeiro a comentar!

Alguns durante a madrugada, outros logo bem cedo. Neste dia, como aconteceu nos anos anteriores, tantos jovens pelo Brasil ajudam alegres a confecção dos tapetes que enfeitam as ruas de nossas cidades. De serragem coloridas, desenhos representando tantos símbolos da Igreja, alguns mais simples, outros bem detalhados… Mesmo no meio de uma pandemia que nos aflige e nos obriga ao distanciamento social, o dia santo da Solenidade de Corpus Christi deve ser vivenciado com alegria. Sem a possibilidade de enfeitar as ruas, podemos fazer do nosso coração o tapete mais bonito – e desejado – por Deus. A triste pandemia, neste aspecto, abre novas possibilidades para celebrarmos a alegria de ser Igreja em Cristo tendo Jesus Eucarístico como o pão que alimenta nossa fé.

Sempre na quinta-feira depois da Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra o precioso o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. É o dia reservado para louvar devotamente a Eucaristia, fonte de vida da Igreja, nos seus primeiros anos também conhecida como a “Igreja do pão”. Corpus Christi é a festa do dom mais precioso, que nos aproxima ao céu, deixado como herança e mistério da nossa fé, que é o próprio Cristo Jesus.

É possível compreender a importância da Eucaristia para o cristão a partir da privação a este sacramento no momento em que – em diversos lugares -, grande parte dos fiéis está longe pessoalmente das missas. Apesar das tecnologias e das transmissões das celebrações online.

Para o jovem Arthur Baiochi, coordenador da Pastoral Universitária da Paróquia São Sebastião de Amparo (SP), esse impedimento teve diversas consequências para a Igreja, algumas positivas, outras negativas. “Os fiéis, antes recebidos na igreja, passaram a receber a missa em suas casas. Cada lar católico se tornou uma pequena Igreja, recebendo a transmissão das missas por meio de suas telas. Apesar disso, existe uma limitação que nem mesmo a juventude – com todo o seu conhecimento tecnológico – consegue superar: é impossível receber a Eucaristia virtualmente. Claro, sabemos da existência da comunhão espiritual, e sabemos também que, em meio a uma pandemia, não receber semanalmente a Eucaristia em respeito a própria vida e a vida dos outros não é um pecado, mas sim um jejum necessário. Entretanto, isso não torna a abstinência Eucarística fácil. Aquele que ama tem pressa para estar ao lado de seu amado e, nesse caso, a juventude católica ama, e Jesus é o seu amado”, testemunha.

O Papa Francisco, na homilia de Corpus Christi de 2018 salientou a importância da Eucaristia como “o pão do futuro, que já agora nos faz saborear um futuro infinitamente maior do que as mais risonhas expectativas. É o pão que sacia os nossos maiores anseios e nutre os nossos mais belos sonhos. Numa palavra, é o penhor da vida eterna, isto é, uma antecipação concreta daquilo que nos será concedido. A Eucaristia é a marcação, a ‘reserva’ do paraíso”, disse o pontífice.

papa francisco

Origem da Solenidade de Corpus Christi

A Igreja sempre valorizou o sacramento da Eucaristia desde sua instituição por Jesus na Última Ceia, como nos revela a mais antiga narração deste momento feita por São Paulo na primeira carta aos Coríntios (cf 1 Cor 11,23-26) no ano de 56. Ainda na Idade Média, em 1209, na Diocese de Liége, na Bélgica, uma freira agostiniana chamada Juliana teve algumas visões que deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento.

Em suas visões, via como um disco lunar com uma mancha negra ao centro, como uma lacuna. Esta “ausência” foi interpretada como a falta de um dia no calendário para que os fiéis celebrassem o sacramento da Eucaristia.

O bispo compreendeu com grande devoção o que a religiosa testemunhava e, em 1246, na sua diocese, pela primeira vez aconteceu uma festa para o Corpo de Cristo. Por uma providência divina, este bispo tornou-se o Papa Urbano IV, que estendeu a festa de Corpus Christi para toda Igreja a partir do ano de 1264.

Já no século XIV, a solenidade ganha maior difusão no pontificado de Clemente V em especial após o Concilio de Viena (1311-1313). Quatro anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão pelas vias da cidade com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume que já era testemunhado em algumas dioceses da Alemanha.

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