Advento e Natal: tempos de profecia diante da tirania do consumo

Publicado em 11 de dezembro de 2019 Por Seja o primeiro a comentar!

Estamos na dinâmica do Advento e do Natal para toda a Igreja, é um tempo de mergulhar, aprofundando a mística cristã da solidariedade. É tempo de espera e esperança, de luta e testemunhos, estando atentos a todos os sinais de nosso contexto e cultivar a vigilância, preparando, através do empenho da Pastoral Juvenil, a vinda do Senhor e Salvador.

Entendemos o Advento como o tempo correspondente aos 4 domingos, às 4 semanas antes do Natal. O primeiro Domingo é o início do calendário litúrgico da Igreja que organiza e determina as comemorações, as celebrações e os principais conteúdos da vida comunitária, tais como: o Advento, Natal, Epifania, Paixão, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Trindade, Ação de Graças, Eternidade.

Advento significa “vinda”, “chegada”. Está relacionado à chegada de Deus ao mundo. Tempo determinado para a preparação da festa do nascimento de Jesus. Ao mesmo tempo, esta “espera” recebe os traços litúrgicos e de comportamentos próprios de uma “vigilância”, a partir do impacto da expectativa das comunidades juvenis (venha o teu reino) relacionada à nova vinda de Cristo, à chegada do “novo Céu e a nova terra”, marcados pela justiça e solidariedade. Temos, nesta época, conteúdos de fé e tradições católicas que promovem a alegria, causada pelas dádivas de Deus relacionadas ao nascimento de Jesus e pela expectativa de uma ação salvadora plena, que ainda vai chegar – neste caso, uma antecipação da grande alegria vindoura, aquela que vai além dos limites que a vida no mundo impõe.

O grande risco que ameaça a profecia juvenil nesses tempos

Estamos antecipando demasiadamente o Natal, atropelando o Advento por interesses estritamente econômicos e, com isso corremos o risco de sacrificar a esperança mística do Advento, em troca de uma alegria alienante… O apelo comercial tem transformado esse tempo em um tempo “sagrado” do consumo que oprime a esperança – e isso nos leva a pensar no perigo desse consumismo exagerado para a vida humana e a vida do planeta.

O problema é que há uma relação estreita e forte entre o consumismo, a sociedade e o meio ambiente. Isso porque para atender a demanda da produção e do consumo é necessário retirar matérias-primas da natureza, fabricar e transportar materiais, fazer grande uso de energia elétrica e de água. Tudo isso gera emissão de gases poluentes, degradação e devastação ambiental, e, consequentemente, a destruição de ecossistemas. As pessoas, devido ao sistema que vivem, onde o importante é o que você tem e não quem você é, tendem a desenvolver distúrbios caracterizados pela compulsão em comprar coisas desnecessárias que talvez nunca usarão.

Além disso, elas são influenciadas por um dos maiores difusores do consumismo: a mídia. Todos os dias somos “bombardeados” com milhares de propagandas. São milhões e milhões de gastos para tentar nos fazer comprar.

O consumismo também causa consequências à sociedade, já que contribui para o processo de degradação das relações sociais. Muitas vezes excluímos pessoas e as julgamos pelo simples fato de ela não possuir tal objeto ou não estar com “roupas da moda”.

É surpreendente como uma pessoa é julgada por não se submeter ao sistema que privilegia poucos e faz você valer o que possui. Além disso, o consumista sofre processos de alienação e oneomania (que é um distúrbio caracterizado pela compulsão de gastar dinheiro).

De todas as consequências do consumismo, a mais grave está relacionada com o meio ambiente. Como é possível um planeta suportar um sistema em que a lei vigente é: “use, descarte, compre sempre o novo”? Estamos destruindo a Terra para satisfazermos nossos prazeres supérfluos, que incentivam o desperdício e geram uma enorme quantidade de lixo. Estamos caminhando para um colapso ambiental e prova disso são as mudanças climáticas que ocorrem no Planeta Terra.

Atualmente, o desenvolvimento sustentável é a principal solução contra a crise ambiental que o planeta enfrenta, já que é considerado o equilíbrio entre sociedade, natureza e economia. Nesse sentido, empresas e organizações se unem para procurar maneiras de investir em soluções sustentáveis, a fim de garantir seu progresso sem comprometer o futuro. A educação ambiental é um importante passo para o desenvolvimento sustentável. Isso porque, é preciso conscientizar todos os setores da sociedade para que haja um movimento completo e eficiente em prol do meio ambiente.

Que a Pastoral Juvenil, resgatando a Esperança, marque a sua presença profética, rompendo com a cultura do consumo, radicalizando na missão de proteger os excluídos, valorizando-os pelos que são e não pelo que tem, cuidando da chama que ainda fumega e tomando a direção da missão de João Batista: “preparai os caminhos do Senhor”.

Dom Nelson Francelino, Bispo diocesano de Valença/RJ e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude.

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