“Posso sair hoje à noite?” Jovens e saídas à noite: como trabalhar a confiança?

Publicado em 20 de agosto de 2018 Por Seja o primeiro a comentar!

Posso sair hoje à noite? Esta é a pergunta que todos os adolescentes fazem aos seus pais, mais cedo ou mais tarde. É um momento para eles aprenderem a administrar sua liberdade.

A pergunta “posso sair hoje à noite?” é uma das mais temidas pelos pais de jovens e adolescentes. Mas quando as crianças vão crescendo, a necessidade de dar um pouco mais de liberdade é cada vez mais patente. São momentos nos quais eles se desenvolvem socialmente e aprendem a se relacionar com pessoas diferentes das que estão com eles no dia a dia. As saídas à noite sempre foram muito importantes e especialmente interessantes para os jovens de qualquer época.

Enfrentar esta questão pode ser uma boa oportunidade para que os pais ensinem os filhos a lidar com a sua liberdade. Como todos os temas ligados à educação, não há fórmulas mágicas e as medidas de prudência variam em função dos ambientes socioculturais de cada família.

Propomos algumas perguntas que podem ajudá-los com amigos, na escola ou na paróquia:

Perguntas para o diálogo

  • Como começar a administrar as saídas dos filhos, progressivamente? Como avaliar os planos tendo em conta todos os fatores que entram em jogo (idade, horário, responsabilidade pessoal, dinheiro, etc.)?
  • Os pais devem estabelecer previamente condições fechadas – quanto a permissões, hora de chegada, etc. – ou devem estar abertos ao diálogo com seus filhos para estabelecê-las?
  • Como lidar com as pequenas ou grandes mentiras dos filhos quanto aos planos e saídas?

Propostas para a ação

  • Antes de conversar com um filho, é importante que os pais estejam de acordo entre si e que seus motivos sejam razoáveis, coerentes com o planejamento de vida que têm e procuram transmitir aos seus filhos. Além disso, para tomar decisões corretas, é necessário conhecer o ambiente que os rodeia e como os afeta, e não se deixar levar pela chantagem emocional de “todos os meus amigos fazem isso”.
  • Saber os detalhes dos planos que os seus filhos fazem ou querem fazer e as expectativas que têm: especialmente conversando com eles. Escutar mais do que ter “conversas-interrogatórios”. Facilitar que falem e ajudá-los a refletir sobre as próprias ideias, sem impor-lhes as suas.
  • Propor com antecedência as conversas sobre saídas e dedicar-lhes tempo. Os adolescentes precisam de um período para pensar e assimilar as visões de seus pais. Raciocinar sobre os nãos e explicar os porquês.
  • É importante falar sobre os riscos – o abuso do álcool, as drogas, o sexo – porém sempre numa atitude de diálogo. Tentar não abusar de abordagens imperativas (não beba, não chegue tarde) ou de exemplos de situações extremas.

Meditar com a Sagrada Escritura e com o Catecismo da Igreja Católica

  • “Escutai, ó filhos, a instrução de um pai e ficai atentos, para aprender a prudência: eu vos darei uma doutrina excelente, não abandoneis a minha lei. Eu também, para meu pai, me portei como filho, por minha mãe acarinhado como filho único. Ele me ensinava e dizia: ‘Teu coração acolha as minhas palavras, guarda meus preceitos, e viverás. Adquire a Sabedoria, adquire a prudência’(…)” (Pr 4,1-5)
  • “O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã e «uma escola de enriquecimento humano». É aqui que se aprende a tenacidade e a alegria no trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e sempre renovado, e, sobretudo, o culto divino, pela oração e pelo oferecimento da própria vida.” (Catecismo da Igreja Católica, 1657)
  • “Deus não quis reservar só para Si o exercício de todos os poderes. Confia a cada criatura as funções que ela é capaz de exercer, segundo as capacidades da sua própria natureza. Este modo de governo deve ser imitado na vida social. O procedimento de Deus no governo do mundo, que testemunha tão grande respeito para com a liberdade humana, deveria inspirar a sabedoria daqueles que governam as comunidades humanas. Eles devem atuar como ministros da providência divina.” (Catecismo da Igreja Católica, 1884).
  • “Incumbe àqueles que exercem cargos de autoridade garantir os valores que atraem a confiança dos membros do grupo e os incitam a colocar-se ao serviço dos seus semelhantes. A participação começa pela educação e pela cultura. ‘Pode-se legitimamente pensar que o futuro da humanidade está nas mãos daqueles que souberem dar às gerações de amanhã razões de viver e de esperar’.” (Catecismo da Igreja Católica, 1917).

Meditar com o Papa Francisco

  • “Os próprios meios de distração que invadem a vida atual levam-nos também a absolutizar o tempo livre, no qual podemos utilizar, sem limites, aqueles dispositivos que nos proporcionam divertimento e prazeres efêmeros. Em consequência disso, ressente-se a própria missão, o compromisso esmorece, o serviço generoso e disponível começa a retrair-se” (Gaudete et exultate, 30).
  • “O mundo propõe-nos o contrário: o entretenimento, o prazer, a distração, o divertimento. E diz-nos que isto é que torna boa a vida. O mundano ignora, olha para o lado, quando há problemas de doença ou aflição na família ou ao seu redor. O mundo não quer chorar: prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las. Gastam-se muitas energias para escapar das situações onde está presente o sofrimento, julgando que é possível dissimular a realidade, onde nunca, nunca, pode faltar a cruz” (Gaudete et exultate, 75).
  • “Na época atual, em que reina a ansiedade e a pressa tecnológica, uma tarefa importantíssima das famílias é educar para a capacidade de esperar. Não se trata de proibir as crianças (…), mas de encontrar a forma de gerar nelas a capacidade de diferenciarem as diversas lógicas e não aplicarem a velocidade digital a todas as áreas da vida” (Amoris laetitiae, 275).

Meditar com São Josemaria

  • “É necessário que os pais consigam tempo para estar com os filhos e falar com eles. Os filhos são o que há de mais importante: são mais importantes que os negócios, que o trabalho, que o descanso. Nessas conversas, convém escutá-los com atenção, esforçar-se por compreendê-los, saber reconhecer a parte de verdade – ou a verdade inteira – que possa haver em algumas de suas rebeldias. E, ao mesmo tempo, ajudá-los a canalizar retamente seus interesses e entusiasmos, ensiná-los a considerar as coisas e a raciocinar, não lhes impor determinada conduta, mas mostrar-lhes os motivos sobrenaturais e humanos que a aconselham. Em uma palavra, respeitar-lhes a liberdade, já que não há verdadeira educação sem responsabilidade pessoal, nem responsabilidade sem liberdade.” (É Cristo que passa, n. 27)
  • “Procurem que as crianças aprendam a avaliar seus atos diante de Deus. Deem motivos sobrenaturais para que ponderem, para que se sintam responsáveis; e não demonstrem desconfiança. É preferível que os enganem alguma vez, a que se destruam o carinho e a união que eles tem com vocês”. (Guadalaviar – Valencia, 17.XI.1972)
  • “Vocês devem administrar a liberdade dos filhos, segundo a idade que tenham. Não podem tratar a todos da mesma maneira. A justiça exige que se trate de maneira desigual aos filhos desiguais, mas de modo que não provoque ciúme. São desiguais pela idade, por temperamento, pela saúde, por suas condições intelectuais… Assim, com a ajuda de vocês, chegam a ser iguais e a se amarem muito, a se comportarem bem, a ter as virtudes de seus pais, e a ser bons filhos de Santa Maria”. (Guadalaviar – Valencia, 17.XI.1972)
  • “Faça isso com teus filhos. Não se contente com descobrir, se eles te enganam alguma vez. Compreenda-os, desculpe-os: por um acaso tu e eu nunca fizemos isso com Nosso Senhor, e nos arrependemos depois? Que percebam que você é o melhor amigo deles, que ninguém os ama tanto como seu pai e sua mãe. Você vai ver como as crianças ficam orgulhosas disso. Mas não pretenda que sejam santos dos pés à cabeça. Não existem santos na terra.” (El Prado – Madrid, 18.XI.1972)

Fonte: opusdei.org

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