O que causa a morte de nossa juventude? O que fazer?

Publicado em 8 de abril de 2015 Por 1 Comentário

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A cada dia assistimos ou somos informados sobre os atos violentos que rondam a nossa realidade. É violência no trânsito, nas famílias, no lazer, na roda de amigos… Quem são as vítimas de tanta violência?! São os que sofrem a violência como também os que praticam. Neste contexto todos sofrem os danos de uma educação para o conflito e não para o diálogo e o entendimento!

O Brasil ocupa a 6ª posição no ranking de assassinatos, quer seja no total de sua população ou na população jovem (15 a 24 anos). Nas duas situações, o nosso país está atrás apenas de El Salvador, Ilhas Virgens (EUA), Venezuela, Colômbia e Guatemala. O último Mapa da Violência, publicado em 2014 com dados dos anos anteriores, informou que mais de 100 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012. Foram mais de 50 mil vítimas de homicídio, mais de 45 mil de acidentes de transporte e mais de 10 mil suicídios. Neste contexto, os jovens foram os principais afetados, somando mais de 30 mil vítimas, o que equivale mais da metade dos homicídios. O fato de tantos jovens morrerem se relaciona diretamente com a dor da perda de um ente querido. Quanto mais jovem uma pessoa morre, mais sofre o círculo de relacionamento que a pessoa tinha. Diante de tanta violência, da banalidade da vida humana, somos questionados: O que fazer? O certo é que não se pode desistir da paz e nem ser insensível ao sofrimento e a tanta brutalidade e banalidade da vida. As motivações de tanta violência estão na quantidade de jovens suscetíveis a inserir-se no consumo e no comércio de drogas, da baixa renda e ver como “meio de vida” o lucro do tráfico, na ausência de políticas que favoreçam atividades educacionais, culturais e sócio-transformadoras… Para quebrar esta cadeia de violência é preciso que assuma o problema e busque a transformação da realidade; a começar pela realidade de nossas casas e famílias, pois elas são o lugar imprescindível para o cultivo da paz e por isso devem ser bem cuidadas, bem administradas. A paz e o diálogo devem ser assumidos como princípios dentro de nossos lares. Não se perde nada cultivando o amor materno e paterno, o amor entre os irmãos, entre os amigos. Não se perde cultivar os valores morais dentro de nossas casas! Não se perde cultivando uma vida de oração; pelo contrário, se cresce quando abre o coração para Deus. Como Igreja Católica buscamos ser casa da acolhida, que ouve, que busca caminhar próximo dos seus filhos. É o seu desejo estar próxima, caminhando juntos a todos os homens, mulheres, jovens e crianças, daqueles que perderam um ente querido e que sofrem, daqueles que foram vítimas e responsáveis pela prática da violência. Por isso é necessário apresentar o Evangelho com clareza. A juventude abomina hipocrisia, traz um pensamento e atitudes de esperança no mundo, usa uma linguagem própria e é mais presente nas redes sociais. É necessário mostrar a necessidade e a importância do ser discípulo. Ensina-nos o papa emérito Bento XVI: “Queridos jovens, vós sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, não vos deixeis invadir pelo desânimo nem vos abandoneis a falsas soluções, que frequentemente se apresentam como o caminho mais fácil para superar os problemas. Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação.Vivei com confiança a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, tão rica e cheia de entusiasmo.” É o desejo de Jesus e por consequência da Igreja que todos vivam. Basta de violência, de morte, de sofrimentos… Desejamos um ambiente mais justo e fraterno, onde a paz reine! Desejamos uma cultura da paz com ações concretas no cotidiano: na forma de interação entre as pessoas, de lidar com os problemas e os conflitos, formas mais humanas de lidar com a frustração e a raiva;

na capacidade de reconhecer e valorizar as diferenças e ser mais tolerantes. De certo, que cada um pode influenciar no modo como está a sociedade. Todos podem incluir em suas escolhas a de ser construtor da paz. Ao fazer esta escolha, estaremos dando mais qualidade aos nossos relacionamentos e à sociedade. Busquemos uma cultura da paz e que ela seja verdadeira e duradoura! Geraldo Trindade padre na Arquidiocese de Mariana (MG), mantém o blog http://pensarparalelo.blogspot.com  

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