Mas afinal, o que é amar?

Publicado em 3 de julho de 2015 Por Seja o primeiro a comentar!

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Fomos criados para viver o amor, pois o nosso Criador é Amor. Sem ele, o homem e a mulher não podem ser felizes. Mas, afinal, o que é amar?

O que leva muitos casamentos ao fracasso é a noção falsa que se tem do amor hoje. Há no ar uma “caricatura” do amor. Se eu lhe der uma nota de cem reais falsa, você não aceitará, pois ela não vale nada, e você ainda poderia ser incriminado por causa dela.

Se você construir uma casa usando cimento falsificado, cuidado porque ela poderá desabar sobre a sua cabeça. Da mesma forma, se você levar para o casamento um amor falso, ele certamente desabará, pois o “cimento” da união é o amor.

É preocupante o conceito de amor que está se instaurando na mentalidade dos homens e mulheres. Infelizmente, parece que a cultura do descartável está entrando nas relações humanas. É preciso parar e refletir: Como estou levando meus relacionamentos? Será que amo de verdade? Qual é o verdadeiro sentido do amor?

Pois bem, para mostrar bem claro o que é amar, vamos iniciar mostrando o que não é amar. Pare um instante diante de sua vida e faça conosco essa reflexão:

Amor não é egoísmo, isto é, preferência por mim, mas pelo outro. Se você come uma fruta “com gosto”, não pode dizer que a ama. Se você treme de paixão diante de uma menina e lhe diz: “eu te amo”, esteja certo de que você está mentindo, pois essa tremedeira é sinal de que você quer saciar o seu ego desejoso de prazer. Isso não é amor, é paixão carnal, é egoísmo.

Se você está encantada com a beleza dele e se desdobra em declarar o seu amor por ele, saiba que isso também não é ainda amor, pois amor não é pura emoção ou sentimento.

Amar é muito mais do que isso, pois não é satisfazer a si mesmo, mas ao outro. Quando você disser a alguém “eu te amo”, esteja certo de que você não quer a sua própria satisfação ou felicidade, mas a do outro.

Cuidado com as “caricaturas” do amor, porque estas são falsas e não podem fazer a felicidade do casal. Todo jovem tem sede de amar, mas, muitas vezes, o seu amor é mascarado e se apresenta falso e perigoso.

Amar não é apoderar-se do outro para satisfazer-se; é o contrário, é dar-se ao outro para completá-lo. É dizer não para si mesmo para dizer sim ao outro. E para isso é preciso que você renuncie a si mesmo, esqueça-se de si mesmo. Você corre o risco de, insatisfeito, querer apaixonadamente agarrar aquilo que lhe falta; e isso não é amar. Assim o amor morre em suas mãos.

Você só começará a compreender o que é amar quando a sua vontade de fazer o bem ao outro for maior do que a sua necessidade de tomá-lo só para si, para se satisfazer.

As paixões sensíveis da adolescência não são o autêntico amor, mas a perturbação de um jovem que encontra diante de si os encantos e a novidade da masculinidade ou da feminilidade.

É fácil entender que aqueles que quiserem construir um lar sobre esse chão de emoções estarão construindo uma casa sobre a areia. Muitos casamentos desabaram porque foram realizados “às cegas”, sem preparação para que houvesse harmonia, sem o aprendizado do amor.

“Amar é dar-se”, ensina-nos Michel Quoist. É dar a si mesmo ao outro para completá-lo e construi-lo. Mas para que você possa verdadeiramente dar-se a alguém, você precisa primeiro “possuir-se”. Ninguém pode dar o que não possui. Se você não se possui, se não tem o domínio de si mesmo, como, então, você quer dar-se a alguém?

Se o seu coração bate acelerado diante de alguém que o atrai, isso é sensibilidade, não chame ainda de amor. Se você perdeu o controle e se entregou a ele, isso é fraqueza, não chame isso ainda de amor. Se você está encantada com a cultura dele, fascinada pela sua bela carreira e já não consegue mais ficar sem a conversa dele, isso é admiração, ainda não é amor.namoro

Mesmo que você esteja, até às lágrimas, diante de um fato chocante, isso é mais sensibilidade do que amor. Amar não é “ser fisgado” por alguém, “possuir” alguém ou ter afeição sensível por ele, ou mesmo render-se a alguém. Amar é, livre e conscientemente, dar-se a alguém para completá-lo e construi-lo. E isso é mais do que um impulso sensível do coração; é uma decisão da razão. Por isso, amar é um longo aprendizado, não é uma aventura como a maioria pensa.

Não se aprende a amar trocando a cada dia de parceiro, mas aprendendo a respeitá-lo, tanto no corpo quanto na alma. Amar é uma decisão. E a decisão não é tomada apenas com o coração, empurrado pela sensibilidade. A decisão é tomada com a razão.

Vemos hoje, em muitas redes sociais, muitos casais postando mil declarações de amor eterno num dia, e no outro, postarem coisas totalmente contrárias. Quer dizer que um dia eu amo e no outro não amo mais? Que amor é esse? Não há problemas em declarar o amor publicamente, no entanto, mais importante que demonstrar o amor em palavras, é fazê-lo em atos, é viver, de fato, o amor.

Quando amamos de verdade, nos tornamos livres de fato, pois o amor nos liberta de nós mesmos e das coisas que nos amarram. Amar não é querer alguém construído, mas construir alguém querido.

cleofabr-2Prof. Felipe Aquino. É doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da EEL-USP durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior.

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