Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe e o reconhecimento do protagonismo dos jovens na comunidade eclesial e na transformação da sociedade

Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe e o reconhecimento do protagonismo dos jovens na comunidade eclesial e na transformação da sociedade

A Assembleia Eclesial da Igreja da América Latina e do Caribe, que este domingo (28) encerrou no santuário da Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, define cerca de 12 desafios pastorais que sintetizam uma semana de trabalhos, num acontecimento que muitos observadores consideram histórico.

O reconhecimento do protagonismo dos jovens na comunidade eclesial e na transformação da sociedade; o acompanhamento das vítimas das injustiças sociais e eclesiástica; impulso à participação das mulheres nos ministérios e nas instâncias de governo, discernimento e decisão eclesial são os três mais destacados desafios que o documento conclusivo define.

Outros desafios que vêm a seguir, nesse documento, referem a promoção da dignidade da vida e da pessoa humana; o incremento da formação em sinodalidade para erradicar o clericalismo; a aposta na participação dos leigos na vida sociopolítica, cultural e eclesial; a escuta do clamor dos pobres, excluídos e descartados; reforma dos itinerários formativos dos seminários; renovação do conceito e experiência da “Igreja povo de Deus”; e dar prioridade à ecologia integral nas comunidades.

Ainda que se tenha tratado de um marco na vida da Igreja Católica, da sequência da conferência de Aparecida, em 2007, a grande novidade deste evento foi ter sido uma assembleia eclesial, juntando a “diversidade multifacetada” dos cristãos leigos, religiosos e bispos e de ter sido concebida e realizada com “uma verdadeira experiência de sinodalidade”, ou seja, “de escuta mútua e de discernimento comunitário daquilo que o Espírito quer dizer à sua Igreja”.

Da assembleia saiu igualmente uma “mensagem ao povo da América Latina e do Caribe”, intitulado “Todos somos discípulos missionários em saída”, na qual se enfatiza e denuncia a dor “dos mais pobres e vulneráveis que sofrem o flagelo da miséria e da injustiça”, assim como “o grito de destruição da casa comum” e a “’cultura do descarte’ que atinge sobretudo as mulheres, os migrantes e refugiados, os idosos, os indígenas e os afrodescendentes”.

Participação online do presidente da Comissão para a Juventude CNBB, Dom Nelson Francelino e da assessora interna, Ir. Valéria Leal.

12 desafios pastorais

No sábado, 27 de novembro, penúltimo dia de Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe, foram apresentados os desafios pastorais que foram refletidos durante os dias de trabalho. Os delegados construíram juntos, através das apresentações e, sobretudo, diálogos em grupo, os 12 números que podem orientar e motivar a vida pastoral do povo latino-americano.

Assembleia Eclesial aponta 12 desafios pastorais para a Igreja na América Latina e Caribe:

1. Reconhecer e valorizar o papel dos jovens na comunidade eclesial e
na sociedade como agentes de transformação.
2. Acompanhar as vítimas de injustiças sociais e eclesiais com processos de reconhecimento e reparação.
3. Promover a participação ativa das mulheres em ministérios, órgãos governamentais,
discernimento e tomada de decisões eclesiais.
4. Promover e defender a dignidade da vida e da pessoa humana desde a sua concepção até o seu fim natural.
5. Aumentar a formação da sinodalidade para erradicar o clericalismo.
6. Promover a participação dos leigos em espaços de transformação cultural, política, social e eclesial.
7. Ouvir o grito dos pobres, excluídos e descartados.
8. Reformar os itinerários formativos dos seminários, incluindo temas como ecologia integral,
povos nativos, inculturação e interculturalidade e pensamento social da Igreja.
9. Renovar, à luz da Palavra de Deus e do Vaticano II, nosso conceito e experiência da Igreja do Povo de DEUS, em comunhão com a riqueza de sua ministerialidade,
que evita o clericalismo e favorece a conversão pastoral.
10. Reafirmar e dar prioridade a uma ecologia integral em nossas comunidades
a partir dos quatro sonhos da Querida Amazônia.
11. Promover um encontro pessoal com Jesus Cristo encarnado na realidade do continente.
12. Acompanhar os povos nativos e afrodescendentes na defesa da vida, da terra e das culturas.

Há esperança

“Após a Assembleia aumentou minha esperança para uma Igreja do acolhimento e do cuidado. Saber acolher e cuidar é a mística que nos orienta para o futuro da Igreja. Saber acolher os mais desprezados para aprender a arte do cuidado, revelam a ternura que somente a fé no ressuscitado dá sentido à nossa vida social e eclesial. Estaremos, assim, no caminho da verdadeira Igreja anunciado pelo Ressuscitado. A porta se abriu, vamos sair juntos, em espírito sinodal, encharcar o mundo com o Evangelho da alegria e da esperança. Eu acredito, eu assumo, eu vou junto.” concluiu, Dom Severino Clasen, Arcebispo de Maringá (PR).

da redação com informações: domtotal.com | cnbb.org.br

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