Os jovens e a política: algo em comum?

Publicado em 15 de novembro de 2020 Por Seja o primeiro a comentar!

Introdução

  Salve, salve juventude! 

É tempo de eleições 2020, então pensei que seria interessante dedicar um tempinho aqui, pra gente conversar sobre isso. “Xii!! Lá vem esse papo chato de política”. Eh! Eu sei. Eu também já pensei assim. O que torna chato o papo sobre política é o fato de só ouvirmos coisas negativas sobre ela: corrupção, interesse de grupos, e por aí vai. Mas depois que eu descobri o verdadeiro sentido da política, eu passei a interessar-me por ela, pois percebi que tem tudo a ver com o desejo de Deus, ou seja, o bem de todos.

Por falar em interesse, eu percebi que ser proativo em relação a esse tema fez toda a diferença. Através de pesquisa, rodas de conversas, debates, o horizonte da política para mim foi ficando cada vez maior. Saí da condição de ouvinte passivo, que “engolia tudo com farinha” e passei a ser protagonista.

E é este o convite que eu quero lhe fazer aqui. Para ser protagonista, não só em relação à política, mas na vida como um todo. “Sejam praticantes da palavra, e não meros ouvintes, enganando-se a si mesmos.” (Tiago 1,22)

Conceito de Política 

A palavra “política” deriva do grego “politéia”. Palavra usada para se referir a tudo aquilo que estava relacionada à cidade-estado, sua organização e mediação de conflitos. Logo, a finalidade da política é a busca pelo bem comum. Sendo assim, não se preocupar com a política, no seu genuíno significado, é não se preocupar com o bem comum.

Com frequência se confunde “política” com “politicagem”. Como vimos, a política visa o bem estar de todos. Ao contrário da politicagem que busca o bem individual ou de um determinado grupo. E, é da politicagem que vem a corrupção. 

Agora que você já tem uma noção do que é política, observe a conduta dos políticos (em âmbito municipal, estadual e federal) e se pergunte se o que ele está fazendo é “política” ou “politicagem”.

Fé e política

Há quem diga que fé e política não devem se encontrar. “Cada um no seu quadrado”. Será mesmo? Presta atenção nesta (existem tantas outras) frase de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida em abundância”. Na estadia de Cristo-homem aqui na Terra, ele nos ensinou, através de gestos e palavras, a promover a vida e a dignidade do outro. Logo, se política é a preocupação com o bem comum e com os direitos fundamentais da criatura humana, então, política tem tudo a ver com o desejo de Deus.

Segundo o Papa Francisco, é comum se ouvir: Um bom católico não se interessa pela política. Não é verdade, diz ele. Um bom católico interfere na política, oferecendo seu melhor para que o governante possa governar. Pois a política é uma das maiores formas de caridade. Diante disso, não se deve lavar as mãos: todos devemos fazer alguma coisa.

Jovem e a Política

Jesus teve uma adolescência e juventude dinâmica e proativa. Doou-se por completo pela causa do Reino. Estava sempre em movimento. Caminhou na direção das pessoas que estavam perdidas e desamparadas. Era um jovem aberto às relações e preocupado com o bem estar do próximo. A palavra conformismo não estava em seu vocabulário. Enviado por Deus, falou e praticou a justiça, a solidariedade, a fraternidade, a misericórdia, a paz e promoveu a dignidade dos mais fracos. Com a convicção de que os valores do Reino tornariam a existência humana mais feliz, Jesus enfrentou os desafios que foram surgindo. E mesmo sendo Deus, nos momentos de tribulação, quis contar com ajuda de um grupo de pessoas, como Cirineu, Verônica, João, Maria etc. Isso nos mostra que não lutamos sozinhos, e que quando nos unimos, temos mais força para continuar lutando.

A exemplo de Jesus, os jovens são chamados a se colocarem em movimento, a se envolverem com tudo aquilo que diz respeito ao bem comum. A vida de Jesus nos ajuda a ir além das paredes do salão paroquial, ela nos convoca a ir ao encontro dos irmãos que estão perdidos pelo caminho.

Neste mês eleitoral, de um modo concreto, você pode ser protagonista quando se interessa em ouvir as propostas dos candidatos, quando não forma opinião por “disse me disse”, mas vai atrás e procura enxergar além dos discursos acalorados, quando procura saber qual é a verdadeira missão de cada cargo político, quando não se deixa cair na tentação de pensar que política é “coisas para eles e não para nós”. 

Enfim, tudo o que diz respeito ao bem do outro, diz respeito também a nós. Por isso, não deixe de se interessar por esse momento eleitoral. Pois uma escolha consciente e bem feita, ou seja, escolher aquele candidato que tem um real compromisso com a promoção da vida e da dignidade humana e com a nossa casa comum, é a manifestação do nosso compromisso com o Reino. 

Muito bem! Por tudo o que vimos até aqui, podemos concluir que juventude e política tem tudo a ver.

Avante! Somos protagonistas e não meros expectadores no palco da vida.

Valeu!

Por Pe Kleber A. Pacheco, assessor Eclesiástico do Setor Juventude – Diocese de Ponta Grossa- Pr

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