Jovens Franciscanos realizam Missões no sul do país

Publicado em 14 de fevereiro de 2020 Por Seja o primeiro a comentar!

Tanto nos depoimentos dos jovens como nos agradecimentos dos frades envolvidos diretamente com as Missões Franciscanas da Juventude, em Xaxim, realizada de 29 de janeiro a 2 de fevereiro, sobraram emoções. A começar pelo responsável por todo este trabalho com a juventude na Província Franciscana da Imaculada Conceição, Frei Diego Melo.

O Frei lembrou que ainda no final de julho, com o término das Missões no Rio de Janeiro, já começou a se reunir com os frades de Xaxim para realizar um evento em apenas seis meses. “A princípio esperávamos 650 jovens. De repente, o susto: 800 jovens. À medida que aumentava o número, os freis diziam: ‘Damos um jeito’. Em todo momento, eles foram abertos”, revela, emocionando-se pela primeira vez.

Na ocasião do encerramento, era o dia dos Consagrados/as, o frei disse: “Hoje é o dia dos consagrados. Nós, freis e irmãs, não temos um filho ou filha, não temos uma única família. Nós abraçamos uma família muito maior. É a Família Franciscana. E Deus nos dá a graça de sermos fecundos e de abraçarmos vocês como filhos e filhas. Por isso que a gente se doa e por isso que a Vida Religiosa vale a pena. Por isso vale a pena ser frade, freira, padre! É uma vida que dá frutos, que tem sentido. Obrigado a todos os freis, de modo especial esses que estão aqui. Obrigado Frei Jaime Campos, que veio de longe para estar conosco. Obrigado, frei, pela sua presença que nos coloca em sintonia com a Ordem. Obrigado aos freis da Província – se emociona novamente. Cada ano que passa, os freis vêm em número maior. Obrigado Frei Franklin e Frei Tiago, que estão próximos de nós na Província do Rio Grande do Sul. Obrigado aos freis que nos fizeram amar os argentinos. Frei Jesus, Frei Fernando, Frei Christian, Rodrigo e Sofia, pela presença de vocês. Sejam sempre bem-vindos”, garantiu.

Segundo Frei Diego, uma árvore se conhece pelos frutos. “A árvore franciscana está aqui enchendo esse mundo de frutos. Obrigado a todos. Obrigado, Frei Gustavo, em nome da Província, que apoia as Missões. Gente, isso tudo é uma resposta da Província da Imaculada, que continua apostando em vocês. Obrigado meu companheiro no SAV, Frei Alisson Zanetti. Certamente, você cativou muitos jovens nesses dias e vai cativar ainda mais. Obrigado aos jovens que organizaram as caravanas. A gente sabe que não é fácil. Mas quando a gente vê toda essa emoção, o carinho do povo, a gente diz: ‘valeu a pena!’. Obrigado pelo carinho de vocês!”, insistiu.

Por último, agradeceu à juventude. “A missão não está terminando, ela está apenas começando. Aprendemos que aqui é um ponto de chegada, mas é um ponto de partida. Agora, é na família de vocês, na Paróquia que vocês vão mostrar que essa missão foi importante e vai continuar dando frutos. Sejam promotores, cuidem da Casa Comum, cuidem do relacionamento com Deus, procurem alimentar o coração e a alma de vocês, cuidem do próximo. A primeira coisa que vocês vão fazer quando chegarem em casa: Eu te amo pai, te amo mãe! Eu quero cuidar da mãe Terra, porque tudo está interligado”, ensinou.

Coube ao pároco Frei Gilson Kammer fazer os agradecimentos aos paroquianos que não mediram esforços para realizar essas Missões em Xaxim. Frei Gilson citou todo mundo: os conselhos, comissões, organizadas e formadas para pensar os instantes dessas Missões, os funcionários, os freis que vieram de outros lugares, as irmãs que acompanharam esse trabalho. “A Dom Odelir que esteve aqui com a gente e nos deu todo seu apoio”, enfatizou. Agradeceu as quatro prefeituras – Xaxim, Marema, Lageado Grande e Entre Rios – que formam a Paróquia e que ajudaram com ambulância, banho e transporte. E citou várias empresas que somaram com a grande equipe de organização (120 pessoas). Não esqueceu das 38 comunidades e de “tantos e tantos” voluntários, como o batalhão da cozinha. “Vocês recordam que eu disse que a preocupação das famílias era se vocês gostariam da comida. Vocês comeram bem?”, perguntou, ouvindo um coro de sim. “Vocês puderam se alimentar bem, porque tantos e tantos se doaram por isso. A todos aqueles que trabalharam aqui e nas comunidades, o nosso muito obrigado”, repetiu.

“Ao chegar ao fim estas Missões é muito bom poder agradecer a cada jovem e às famílias que acolheram vocês. Muito obrigado!”, disse.

DEPOIMENTOS

Frei Diego lembrou a diversidade e riqueza num lugar só. “Essa semana nós vivemos uma bonita experiência de integração. Gente de diferentes sotaques, diferentes regiões, de outras realidades sociais, até outras religiões se encontraram e fizeram uma grande família. Certamente, temos uma grande experiência para contar. E de que maneira nós vamos fazer. Vamos fazer através das grandes praças que são as redes digitais. Assim que assimilarem o que vivenciaram, poderão publicar no Facebook o seu testemunho ou uma foto”, informou. Os pais, que também vivenciaram a experiência dos filhos ou dos netos, também poderão fazer esse testemunho. “Espero que o testemunho seja sempre assim: foram de um jeito e voltaram muito melhor!. Esta é a proposta da nossa missão”, brincou.

A jovem Ju (foto acima) esteve na Aldeia Paiol de Barro, numa região um pouco distante e muito humilde. “Uma realidade totalmente diferente do que imaginávamos. Falaram para a gente que os índios iriam dar flechadas, mas o que vimos foi o contrário. Queriam apenas um abraço. Ali não tinha sinal de internet, de celular, não pude falar com meus pais, meu namorado. As casas são de madeira a pique, muito simples. Não tem água, nem energia. Fiquei na casa de uma mãe solteira, com dois filhos. E ela passa por muitas dificuldades. A família dela não queria receber a gente. Não conheciam Nossa Senhora Aparecida. A gente conseguiu apresentar para eles e para essa menina que cuidou de mim, porque é uma menina como eu. E quando eu apresentei a imagem de Nossa Senhora Aparecida, eu nunca vi, alguém olhar para uma camisa, que é a da minha Paróquia, a Nossa Senhora Aparecida de Nilópolis, com tanto amor por uma camisa. Eu percebi que ela criou uma afinidade com a santa que era minha Mãe. Ela se sentia muito sozinha. Lá, eu senti uma solidão tão grande por não falar com minha família e senti a solidão dela. Depois eu fiquei pensando o quanto eles se sentem sozinhos. Eu queria deixar um pedido para vocês e para a Comunidade de Xaxim que não esqueçam deles. Porque não adianta a gente querer fazer missão no Rio de Janeiro, em Curitiba, se do nosso lado a gente os ignora e não vai lá nem para dar um abraço”, questionou.

Manu (foto acima), fui guardiã do bairro Chagas, e mostrou o quanto a relação dos jovens com as famílias foi construtiva. “Vivemos experiências maravilhosas, como os irmãos de 18 e 11 que se abraçaram e choraram na despedida nossa. O de 11 anos disse que não queria vir à Missa de encerramento para não se despedir de nós”, disse. Cerca de 400 famílias acolheram os 800 jovens e, segundo Frei Gilson, mais famílias tinham se oferecido para acolher outros jovens.

Confira o vídeo da missão:

Por Frei Augusto Luiz Gabriel e Moacir Beggo

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