Jovens Enraizados: cultivar a esperança

Publicado em 2 de novembro de 2020 Por Seja o primeiro a comentar!

Finados

O dia 2 de novembro é dia santo de fazer memória dos que amamos, mas não compartilhamos de suas presenças físicas. A data nos convida a retomar a importância de sermos jovens com raízes e de cultivar a esperança cristã.

Na celebração do dia de Finados, em 2019, o Papa Francisco disse:

“É importante recordar e fazer memória, isso nos deixa mais fortes, como pessoas e como povo. Nos sentimos enraizados, nos faz entender quem somos e que não estamos sozinhos: um povo que tem uma história, tem um passado, tem uma vida.”

Na Bíblia, para o Povo de Deus, fazer memória dos antepassados faz recordar e assumir a estreita ligação que estes tinham com Deus. Conhecer a história dos primeiros pais da fé sustentava a certeza de que Deus sempre esteve e sempre estará ao lado de seu povo.

Esta memória também dava identidade ao povo: um jeito de crer, ser e fazer passado de geração em geração. Assim, cultiva-se uma memória agradecida do passado que alimentava a certeza da presença de Deus no presente e no futuro. Penso que seja esta a experiência que o Papa Francisco nomina enraizamento.

A cultura, construída pelo nosso povo ao longo da história, assim como as características de nossas famílias, constituem nossas raízes, segundo o Papa Francisco. Ele insiste na temática indicando que jovens sem raízes ficam vulneráveis a todo tipo de manipulação e sentem-se sozinhos.

O dia de Finados nos convida a uma memória agradecida pelas pessoas que amamos e que já partiram para a Casa do Pai. Pessoas que marcaram nossas histórias, que nos deixaram mais ricos em conhecimento, na capacidade de nos relacionarmos, de nos encantarmos com o mundo e sermos mais humanos. Ao mesmo tempo, saber que estão com Deus nos leva a cultivar a esperança de que experimentam a presença constante do Criador, ou seja, a felicidade completa que também está preparada para nós.

É um dia de bênçãos para nós! Celebrar a alegria da experiência vivida com nossos queridos falecidos e alimentar nossa esperança de que “Deus se mostra fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de todas as injustiças” (1Jo 1,9). Somos feitos para algo além, para uma felicidade completa que já começamos a construir aqui, nas relações solidárias, amorosas, com Deus e com o próximo.

Este ano, o dia de Finados, com mais 150.000 irmãos mortos em nosso país e mais de 1 milhão de mortos no mundo, nos convida também a pensar no sentido de nossas vidas, de como cuidamos e protegemos este dom tão valioso. Oportunidade também de nos tornarmos mais sensíveis ao outro e a concretizar ações de cuidado, de solidariedade de busca pela justiça, de responsabilidade com a Casa Comum.

Que este não seja apenas mais um 2 de novembro, ou um mero feriado, mas seja oportunidade de cultivarmos nossas raízes, de esperançar e nos solidarizar com tantos falecidos desta pandemia, da violência e das injustiças.

Por Ir. Valéria Andrade Leal – Assessora Nacional da Juventude (Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude – CNBB)

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