Ei, jovens, precisamos falar sobre suicídio

Ei, jovens, precisamos falar sobre suicídio

“Cristo vive e quer-te vivo”, assim o Papa Francisco inicia a exortação pós-sinodal Christus Vivit. Vamos fazer uma pequena pesquisa: Você conhece ou já ouviu falar de algum jovem que se automutilou ou cometeu suicídio? Possivelmente sua resposta foi um sim. Tristes e preocupantes, os casos de suicídio aumentam a cada ano e já representam – segunda a Organização Mundial da Saúde (OMS) – a terceira principal causa de morte de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. Neste mês de combate e prevenção ao suicídio, a Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB entra na luta para ajudar a salvar vidas.

Sim, o assunto é cheio de tabus, complexo e delicado, mas precisa de um debate amplo e esclarecedor, o que contribui para salvar vidas. Ao contrário do que alguns pensam, falar sobre suicídio não aumenta o risco, mas é uma ferramenta para ajudar as pessoas, aliviando a angústia e a tensão geradas por esses pensamentos.

A gravidade do tema está também em outros números preocupantes. De acordo com a OMS, aproximadamente 800 mil pessoas atentam contra a própria vida e morrem anualmente. Apenas no Brasil, são cerca de 32 casos todos os dias. E a cada morte, pelo menos seis pessoas são impactadas diretamente, como familiares e amigos.

Para o Pe. Lício de Araújo Vale, da Diocese de São Miguel Paulista (SP) e autor do livro “E foram deixados para trás – Uma reflexão sobre o fenômeno do suicídio”, é importante que esteja claro que a depressão é uma doença. “Ela não tem nada a ver com falta de Deus no coração. Os pensamentos suicidas e os distúrbios emocionais são doença que podem ser diagnosticadas e, o mais importante, tratadas”, explica.

ALGUNS FATORES DE RISCO

De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria, metade dos suicidas tinham alguma doença mental identificada, não tratada ou não tratada de maneira adequada. Pacientes com mais de um transtorno identificado, têm os riscos aumentados. Essas doenças podem ser depressão, transtorno bipolar ou mental relacionadas ao uso de álcool e outras substâncias, transtorno de personalidade e esquizofrenia.

Outros fatores estão relacionados a aspectos psicológicos como perdas recentes, personalidade impulsiva, humor instável, histórico de abuso físico ou sexual na infância, desesperança e conflitos de identidade sexual; ou ainda por aspectos sociais como isolamento social – que aumentou devido à pandemia -, desemprego, moradores em situação de rua e ser solteiro, separado ou viúvo.

MAS O QUE PODEMOS FAZER?

“É possível prevenir o suicídio em 90% dos casos de risco. É preciso, contudo, que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária e profissional”, alerta o médico psiquiatra da Unimed Amparo, Maurício Alfieri Ramos.

Existem algumas frases de alerta que precisam de atenção. Elas acendem um sinal de que a pessoa precisa de ajuda e está em risco de cometer suicídio. Confira algumas:

“Vou desaparecer”.

“Vou deixar vocês em paz”.

“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”.

“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”

“Eu prefiro estar morto”.

“Eu não posso fazer nada”.

“Eu não aguento mais”.

“Eu sou um perdedor e um peso para os outros”

“Os outros vão ser mais felizes sem mim”. 

 

FATORES DE PROTEÇÃO

Já ouviu alguma dessas frases? Agir é salvar vidas. Você pode ajudar um amigo estando perto afetivamente. Encontre um momento e lugar apropriado para conversar com essa pessoa. Busque ouvir sem julgamento, com mente aberta e ofereça apoio. Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais, ofereça-se para acompanhá-la. Se você acha que o perigo é imediato, não a deixe sozinha sob nenhuma hipótese e assegure-se que ela não terá acesso a meios de provocar a própria morte, como facas, medicamentos, venenos, corda etc.

A religião tem um papel muito importante. Para Pe. Lício, ela desempenha um papel como fator de proteção. “Segundo a própria Organização Mundial da Saúde, ter uma fé e praticar uma religião possibilita que a pessoa se relacione com uma divindade, seja ela qual for, faz com que tenha contato com um outro ou outra diferente de você. Isso alivia a sensação de solidão. Por outro lado, participar de uma comunidade religiosa (como uma paroquia, grupo evangélico etc.), aumenta os relacionamentos sociais e laços afetivos”, explica.

A Igreja também pode ajudar, e muito! Muitas paróquias abrem espaço para refletir o tema, em especial durante o mês de setembro, e promovem ações como a Escuta Solidária, comumente viabilizada pela Pastoral da Acolhida e seus agentes. Esse é um dos exemplos e um importante início. “Creio que podemos crescer muito neste aspecto no sentido do que nos pede o Papa Francisco, de sermos uma Igreja em saída, samaritana, que vai ao encontro dos que sofrem, que acolhe sua dor e, no caso da prevenção ao suicídio, busca ajudar a pessoa a procurar ajuda de profissionais de saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), presentes nos municípios e que oferecem serviços gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, reflete. Pe. Lício.

 

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