DOMINGO DA PÁSCOA: FESTA DA ALEGRIA

Publicado em 13 de abril de 2020 Por Seja o primeiro a comentar!

  1. A Ressurreição de Jesus fonte da Alegria

Era domingo, ainda de madrugada, quando uma jovem foi correndo ao encontro dos apóstolos quebrando a tristeza e o luto deles. Muito emocionada e confusa disse-lhes: «tiraram do túmulo o Senhor, e não sabemos onde o colocaram» (Jo 20,2). Essa declaração desencadeou um forte dinamismo em Pedro e João que correram para o túmulo. Assim comprovaram que o mestre tinha ressuscitado!

O domingo da Páscoa é o dia do anúncio da fonte da nossa grande alegria: a Ressurreição de Jesus Cristo. O espírito de alegria festiva marcou profundamente a celebração da Páscoa dos discípulos reencontrando o Mestre Ressuscitado.

A primeira palavra de Jesus Ressuscitado no Evangelho de Mateus é «Alegrem-se!», falando às mulheres que, tristes, foram ao seu túmulo (cf. Mt 28,8). Para quem não entra no dinamismo do Domingo da Ressurreição do Senhor, continua no luto da sexta-feira da Paixão.

O domingo da Ressurreição é marcado por um forte sentimento de alegria dinâmica. Para quem tem fé em Jesus Cristo, a Páscoa não é uma simples notícia histórica. Na verdade é fonte de um novo ardor, de esperança, otimismo, dinamismo, comunicação, enfrentamento do medo, superação dos males pessoais e comunitários.  É a vida que vence a morte!

A alegria é um sentimento imperativo para os discípulos de Jesus. Todavia, enquanto os discípulos exultam de alegria por sua presença, o mundo se alegra por sua ausência (cf. Jo 16,20-23). O diabo é a fonte da tristeza!

O evangelista Lucas ao relatar a realidade da Ressurreição, apresentando a aparição de Jesus aos discípulos, narra o impacto emocional deles. Eles não queriam acreditar no que viam, pois estavam espantados e cheios de alegria (cf. Lc 24,41). São João evangelista também nos fala dos sentimentos de alegria dos discípulos ao se encontrarem com o Ressuscitado (cf. Jo 20,20).

Jesus é a fonte da nossa alegria porque Ele é quem nos garante a Vida Eterna, a Salvação, a plenitude, a felicidade total. Foi isso que Jesus assegurou a Marta, dizendo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre” (Jo 11,25-26).

  1. O Amor gera alegria

O Papa Francisco nos recorda esta convicção: “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG,1). Nós, discípulos do Ressuscitado, vivemos movidos por essa alegria. Ela é dinâmica; é dom do Espírito Santo (cf. Gl 5,22). É, portanto, dom que vem do Amor do Pai e do Filho. É o dom no qual o Filho Ressuscitado quer que seus discípulos permaneçam vivendo no amor.

Amor e alegria são inseparáveis. Por isso após pedir aos seus discípulos que permanecessem no seu amor, Jesus lhes diz: “Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” (Jo 15,11). O amor gera alegria! O egoísmo gera tristeza porque é estático, enfadonho, sem dinamismo.

A espiritualidade cristã é alegre como recomenda São Paulo: “Sejam alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12,12). “Fiquem sempre alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres! Que a bondade de vocês seja notada por todos” (Fl 4,4-5).

  1. A juventude e alegria missionária

A juventude é chamada a ser para a Igreja como uma manhã do domingo de Páscoa! Movidos pela Fé no Ressuscitado, os jovens são convocados a testemunharem a alegria e o entusiasmo missionário como aquele de Maria Madalena.

Maria Madalena é modelo do jovem chamado a fazer um caminho de vida espiritual, que verdadeiramente se encontra com o Senhor Ressuscitado e se torna intrépido missionário cheio de dinamismo. Movida pela Fé, ela corria temerosa, mas alegria vencia o medo! Então testemunhava aos apóstolos: «Eu vi o Senhor» (Jo 20,17).

No encontro com o Senhor Ressuscitado a jovem Madalena se supera profundamente: abandona o lamento, para de chorar, deixa de falar de morte, sai do isolamento, afugenta a tristeza, sepulta o medo, vence a depressão, enterra o pessimismo, derrota o intimismo, se enche de otimismo, ergue a cabeça, põem-se a correr e a comunicar-se!

Esse é também o mesmo itinerário desafiador lançado aos jovens em nossos dias. Quantos jovens vivem hoje como Madalena estava antes do encontro com Jesus Ressuscitado, vivendo confusos, tristes, deprimidos, encapsulados em si mesmos, pessimistas, agressivos, acomodados ou sofrendo da falta de sentido para a vida?

  1. A Espiritualidade da Páscoa

Da fé em Jesus, o Ressuscitado vencedor da Morte e de todos os males humanos, os jovens podem absorver um dinamismo capaz de transformar por completo a vida deles! Aqueles que mais sofrem passam a entender que “os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória futura que deverá ser revelada em nós” (Rm 8,18).

Nutridos pela espiritualidade da Páscoa, crianças, jovens, adultos e idosos são chamados a cultivar atitudes coerentes com a nossa esperança, tais como:

  • Alimentar a convicção de que o Bem é mais forte do que o mal;
  • Perseverar na prática do bem e jamais desanimar diante das dificuldades;
  • Cultivar a certeza de que a glória vem após a experiência da cruz;
  • Evitar ceder à tentação do derrotismo, do pessimismo e da síndrome do fracasso;
  • Focar o olhar sobre o bem, o positivo, autêntico, bondoso, justo, nobre;
  • Aprender a tirar boas lições dos problemas, erros e sofrimentos passados;
  • Enfrentar as dificuldades e os sofrimentos desta vida na perspectiva da esperança;
  • Evitar ficar lamentando os problemas da família, da sociedade, da Igreja e do mundo, mas acolher o positivo e promover o bem onde for possível;
  • Cultivar a resiliência que é o esforço para manter a própria integridade;
  • Semear a esperança, sempre!

Enfim, o Domingo de Páscoa para os discípulos de Jesus Cristo, é muito mais que um simples dia da semana, é na verdade, o concentrado das experiências consequentes da fé na ressurreição de Jesus. Por isso, somos chamados a viver o dinamismo dominical todos os dias da nossa vida conservando sempre a alegria, a intimidade com o Ressuscitado, a superação dos males, o testemunho entusiasta, a animação missionária.

por Dom Antônio de Assis Ribeiro, SDB
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém – Membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB

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