Do beco das vilas para a JMJ

Publicado em 23 de março de 2011 Por Seja o primeiro a comentar!

Gente de toda gente, dos mais distantes lugares, das culturas mais distintas. Gente preta, Gente branca, amarela e vermelha, todas juntas e misturadas irão fazer da capital espanhola um grande ileaô onde festejaremos a vida, a esperança em dias melhores, a esperança na terra onde corra leite e mel para tod@s, a terra de São Saruê como imaginado pelo poeta nordestino, ou o Reino de Deus que se faz segundo o Evangelho de Lucas, já neste mundo.

A JMJ pretende ser um momento de aprofundamento da fé juvenil, fé que aliás, é uma característica da juventude, que pode, deve e é manifestada das mais diferentes maneiras, contudo, continua sendo fé. Fé no Deus Pai Oleiro do Universo, Fé no irmão e companheiro Jesus carpinteiro de Jerusalém, Fé que nos leva a busca da nova terra. Jesus em sua vida inteira lutou contra toda forma de opressão e dominação de seu tempo, morreu mostrando o caminho de entrega e serviço, e mostrou que nenhum sacrifício é em vão. E é enraizado neste projeto, edificados neste Cristo, que nossa fé se faz firme para anunciar e vivenciar o amor, para denunciar os crimes do mundo pós-moderno que marginaliza, explora e mata.

Eis que fui escolhido entre as Pastorais de Juventudes de Olinda e Recife para representá-las em tal momento. Estou saindo dos Becos, das vilas, das filas de emprego e de hospital, dos ônibus lotados, enfim, estou saindo do meio onde a grande maioria da juventude brasileira está. Levando comigo um anel preto na mão, uma mochila nas costas, dentro esta um triângulo, muitos sonhos amores e axé, Para cumprir mais uma etapa de minha caminhada coletiva em busca do novo céu da nova terra e do novo mar.

Desde já agradeço ao povo que está tornando minha representatividade legítima numa grande campanha financeira, e ao Deus Pai e Mãe da vida que me confiou tamanha responsabilidade.

Amém, Axé, Awerê, Aleluia.

Neyl Santos, da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) de Recife

 

Notas:

Maloca – Tipo de cabana comunitária utilizada pelos nativos da região amazônica.

Ileaô – Na língua Iorubá, é lugar de música, da dança,da alegria, do entusiasmo, do êxtase.

São Saruê – É um romance de cordel escrito em 1947 por Manoel Camilo dos Santos e que fala de “uma terra prometida”, o melhor lugar no mundo de se viver.

Anel preto – É o anel de tucum, feito da semente de tucum, uma espécie de palmeira nativa da Amazônia. É utilizado por fiéis cristãos como símbolo do compromisso preferencial das igrejas, especialmente da Igreja Católica, pelos pobres.

Axé – é uma palavra do dialeto Yorubano (falado na Nigéria, República do Benin e Togo) que tem um significado muito abrangente. Podemos definir como energia, paz, realizações, boas vibrações, tudo de bom, encanto, saúde, entre outras coisas.

Awerê – é uma espécie de “assim seja” indígena.

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