Bispos da Juventude falam das expectativas para o Sínodo da Amazônia

Publicado em 2 de outubro de 2019 Por Seja o primeiro a comentar!

Entre os bispos brasileiros que participarão da Assembleia especial do Sínodo para a região Pan-amazônica estão Dom Vilsom Basso, Bispo de Imperatriz/MA e referencial para a juventude – Regional Nordeste 5 e, Dom Antônio de Assis Ribeiro, SDB, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém/PA e membro da CEPJ (Comissão Episcopal para a Juventude).

Antes de embarcar e dar início às atividades do Sínodo, que acontece de 6 a 27 de outubro em Roma, Dom Antônio e Dom Vilsom falaram sobre as expectativas e quais ações práticas podem ser esperadas a partir do tema “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. “As perspectivas são muito boas, estou sendo movido particularmente por muita esperança, serenidade e alegria. Creio que o Sínodo será uma oportunidade para refletirmos a fundo e em comunhão com todas as Dioceses presentes na Amazônia, sobre a beleza, as riquezas, as peculiaridades e os desafios da evangelização na Amazônia”, diz Dom Antônio.

Para Dom Vilsom, “as expectativas são muito grandes, especialmente por estarmos com Papa Francisco e com os padres sinodais e podermos, em oração e reflexão, encontrarmos novos caminhos para a evangelização na Amazônia e em toda a Igreja. Com isso também clarear caminhos, buscar ações concretas para cuidar da Casa Comum e tornar nosso planeta um lugar bonito para se viver para muitas e muitas gerações”.

Da emergência ambiental à dimensão evangelizadora

Sobre o funcionamento das atividades, Dom Vilsom explica que, os delegados fraternos que desejarem, e cada padre sinodal terá 4 minutos para colocar suas propostas. Haverá trabalho em grupo para reflexão, e o plenário junto ao Papa Francisco para chegar às decisões.

“Eu especialmente levarei para este Sínodo o papel da Juventude, o Protagonismo Juvenil tanto na Igreja quanto na Sociedade, na ecologia integral e na evangelização. Este espaço importante que os jovens ocupam e desempenham ações no presente no presente e desempenharão no futuro da Igreja e da Sociedade. Levarei a reflexão de uma vida frugal, sem desperdícios ou sobras, uma vida sendo feliz com o mínimo. Levarei ainda a importância da opção pelos jovens que a Igreja fez (no Sínodo da juventude), que é preciso dedicar tempo, energias e recursos financeiros, e, a importância das redes sociais para um novo caminho na evangelização e no cuidado da Casa Comum com a força das juventudes”, diz Dom Vilsom.

Dom Antônio lembra que há o Instrumento de Trabalho do Sínodo, “fruto de um longo processo de escuta dos mais variados interlocutores do Sínodo, a saber: as comunidades indígenas, ribeirinhas quilombolas, líderes de comunidades grupos e movimentos; religiosos, religiosas, diáconos, bispos, etc. Em muitas Dioceses houve assembleias, reuniões, simpósios, seminários e diversas formas de aprofundamento sobre o dinamismo da evangelização na Amazônia”.

Destacando o caráter evangelizador de um evento como este, Dom Antônio fala ainda da dinâmica necessária para a Evangelização.

“Vivemos numa sociedade que está em contínuo processo de mutação, deve-se mudar também a dinâmica da evangelização – Deus é dinâmico. Há hoje na Amazônia desafios que exigem de nós novas atitudes, novas posturas, a Igreja não pode ficar estática… Do grande tema do Sínodo há dois horizontes a serem aprofundados: de um lado é necessário que a Igreja reflita sobre o próprio agir e seus desafios internos buscando novas respostas para evangelização. O outro horizonte é o da promoção da ecologia integral; esse tema pede da Igreja a promoção, tutela e defesa da dignidade humana – que caminha junto à evangelização. Esse grande tema da ecologia integral se insere dentro do compromisso da plena promoção humana”.

“A população da Amazônia é jovem”

Juventudes da Amazônia participam de escuta do Sínodo (Manaus/AM, entre os dias 07 e 09 de setembro)

Na Laudato si, Papa Francisco menciona duas vezes a Amazônia como um importante ambiente para o planeta e para o futuro da humanidade que não deve ser ignorado – esta encíclica é considerada de grande importância para o Sínodo. “Nesse documento o Papa chama atenção da humanidade para com o problema socioambiental que ameaça a qualidade de vida do mundo. Não se trata de um texto técnico e científico sobre os problemas socioambientais, mas acima de tudo, é uma leitura teológica sobre a questão ambiental. A natureza é um evangelho, é manifestação da beleza, grandeza e onipotência de Deus, de sua sabedoria, seu amor e ternura para com a humanidade. A natureza saqueada, poluída e contaminada é um crime contra a dignidade humana e o próprio Criador. Romper com a harmonia estabelecida por Deus entre Criador e as criaturas, e as criaturas entre si, é um grave pecado”, reflete Dom Antônio.

“Seguramente a questão juventude deverá ser objeto de reflexão no Sínodo. Na região amazônica está concentrado, proporcionalmente, o maior índice de jovens do Brasil. A população da Amazônia é jovem. A Amazônia, portanto, é demograficamente a região da Esperança, andando na contramão do crescente envelhecimento da população brasileira. A população da região norte cresceu 3,1% de 2009 até 2011. Quase 60% da população da região tem menos de 34 anos. É importante refletirmos sobre os números, todavia, é mais importante ainda, contemplarmos a realidade de como vive essa massa infanto-juvenil. A situação é muito delicada e isso deve fazer eco no coração da Igreja Missionária”.

Já Dom Vilsom ressalta a importância das encíclicas escritas por Papa Francisco.

“Assim como a Laudato si, a “A alegria do Evangelho”, “A alegria do Amor” em dois Sínodos para a Família, “Os jovens e o discernimento vocacional” diz de todo o empenho da juventude na Igreja e na sociedade, toda a sua preocupação com a economia, para que seja uma economia amiga, e o cuidado com a Casa Comum, os migrantes… Todas essas preocupações fazem parte do Magistério do Papa Francisco e será um grande legado que ficará para a Igreja e para a sociedade. Que este Sínodo seja um despertar para a Igreja, que está em todos os cantos, que ela possa de fato assumir esse compromisso de cuidar do planeta, conscientizando governos e instituições, e fazendo o seu papel no dia-a-dia enquanto comunidade. É pedida a cada um de nós uma conversão ecológica”.

Por fim, Dom Vilsom pede que toda a juventude e toda a Igreja rezem por este Sínodo. “Queremos pedir a oração de todos e todas, que sejamos unidos ao Papa e aos padres sinodais, e a todos os responsáveis por organizar este Sínodo. Que o Espírito nos conduza e que as decisões que vamos tomar sejam para a glória de Deus, para o bem de toda a Igreja e de toda a humanidade, especialmente dos pequenos e dos pobres. Novos caminhos por uma ecologia integral, que assim seja!”.

da redação, Juliana Cuani – Jovens Conectados.

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