Juventude ArqRio: “Somos o ‘sim’ que o jovem rico não deu”

Publicado em 19 de fevereiro de 2020 Por Seja o primeiro a comentar!

A frase destacada, que viralizou nas redes, é do assistente eclesiástico do Setor Juventude da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro/RJ, padre Jorge dos Santos Carreira, durante uma das formações no I Retiro Anual do Setor Juventude da Arquidiocese São Sebastião do Rio de Janeiro, ocorrido entre os dias 7 e 9 de fevereiro, na Casa São Francisco de Sales da Comunidade Sementes do Verbo. O encontro foi acompanhado pelo bispo auxiliar e referencial do Setor Juventude Arquidiocesano, Dom Paulo Alves Romão.

Foram três dias de recolhimento, oração, formação, celebrações, adoração, partilhas e discernimentos, orientação espiritual, pastoral e planejamentos para 2020, conclamado Ano Missionário Arquidiocesano pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta.

Estiveram presentes 30 lideranças entre as diversas expressões de juventude das associações, movimentos e Novas Comunidades que atuam na Arquidiocese do Rio de Janeiro. Através desses jovens, estavam representados os vicariatos Leopoldina, Norte, Oeste e Jacarepaguá.

Pobres em espírito
Dom Paulo presidiu a Santa Missa, na noite do primeiro dia, e fez a palestra de abertura, com o tema: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5, 3)”.

Com sua linguagem cativante e cheia de entusiasmo, desenvolveu o tema, traçando contrapontos que foram desde Santo Agostinho até o Papa Francisco, passando por grandes nomes da literatura italiana, como os escritores Alessandro Manzoni, Alberto Moravia e Cesare Pavese, a escritora inglesa Barbara Ward, o teólogo Romano Guardini e aportando em Dom Luigi Giussani, fundador do movimento Comunhão e Libertação, que é o “berço” formativo de Dom Paulo, pois, segundo ele, para Dom Giussani, “todas as bem-aventuranças são sinônimas, são maneiras diferentes de falar desta pobreza, da ‘pobreza em espírito’”.

Ainda segundo o bispo referencial da juventude carioca

“nas palavras do Papa Francisco, ‘os pobres remetem-nos para o essencial da vida cristã.’ E Santo Agostinho escreve: ‘Há pessoas que mais facilmente distribuem seus bens pelos pobres, em vez de tornarem-se, elas mesmas, pobres em Deus’. Nesse sentido, quem é então o pobre? Quem não tem nada que defender senão a própria sede, a própria espera, a própria natureza original e, por isso, fica todo inclinado a reconhecer e a acolher quem lhe possa responder. É a razão por que Jesus define os pobres ‘bem-aventurados’”, explicou Dom Paulo.

E encerrou, dizendo que “por isso, somos totalmente pobres, porque, diante do mistério de Deus, o homem é nada, e a sua consistência é relacionar-se, obedecer-Lhe a cada instante”, concluiu.

Vocação e missionariedade
A comunicação de Dom Paulo “pavimentou o caminho” para as formações do assistente eclesiástico, no segundo dia. O também jovem padre Jorge Carreira abordou, à luz dos Dez Mandamentos, o relacionamento do jovem cristão com Deus, a vida de oração e intimidade com Ele, para que sejam fecundas a vocação e a missionariedade, buscando sempre agregar as coisas novas e antigas ao seu “bom tesouro” e abrir-se, com confiança, às constantes novidades de Deus.

Generosidade e radicalidade
Tomando como referência o evangelho que narra o encontro de Jesus com o jovem rico, problematizou:

“Jesus logo o exorta a cumprir os mandamentos. E o jovem responde que os tem observado desde a infância. É fato que a proposta de Jesus (‘Uma só coisa te falta: vai, vende tudo o que tem, dá-o aos pobres e, depois, vem e segue-me’) confrontou-o com a sua verdade, sobre: até onde, realmente, ‘cumpria os mandamentos’, até onde amava Deus sobre todas as coisas, até onde ele não cobiçava as coisas alheias, já que era tão rico e apegado, então, até onde ele amava o próximo (os pais, primeiramente) como a si mesmo? Sua atitude revelou que, de fato, ele não cumpria mandamento algum, porque não cumpria o primeiro deles: não amava a Deus sobre todas as coisas, já que não deixaria tudo para seguir Seu Filho”, pontuou padre Jorge.

E disse também: “Isto mostra que, embora praticante da religião, ele não tinha relacionamento com Deus. Ao se recusar deixar tudo por Jesus e o Evangelho, ficou claro que ele, na verdade, não cumpria nada e, por isso faltavam-lhe a generosidade e a radicalidade”, declarou.

Jovens ricos em Deus
Ao final de sua reflexão, parabenizou a presença e atuação de cada jovem representante das diversas expressões de juventude que compõem o Setor na Arquidiocese do Rio, as quais – segundo ele – estão correspondendo ao chamado de Jesus: “Se estamos aqui, é porque, de alguma forma, ‘vendemos tudo o que tínhamos’, assumimos nossa pobreza e acolhemos a Cristo como nossa única riqueza. Portanto, somos a resposta que o jovem rico não deu”, concluiu padre Jorge Carreira.

Colaboração: Flávia Muniz – Setor Juventude ArqRio

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