Refugiados recebem um lar

Publicado em 21 de dezembro de 2015 Por Seja o primeiro a comentar!

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Eles chegam todos os dias do Mali, do Congo, Togo, Palestina, África do Sul, Burundi, Costa do Marfim, Síria, de Conakry- Guiné. São homens e mulheres, na sua maioria jovens, que veêm no Brasil a possíbilidade de realização dos sonhos de emprego, liberdade e paz. A terra dos sonhos é a grande São Paulo. E recentemente uma casa foi inaugurada só para eles, por causa deles: a Missão Scalabriniana, no Alto do Pari.

Os imigrantes não hesitam em dizer quanto bem lhes faz saber que tem um casa de apoio e acolhida que lhes garante as condições básicas de sobrevivência.

Da Cisjordânia para o Brasil

John Kobi, natural de Beit Jala, próximo a Belém da Judeia, na Cisjordânia, chegou há cerca de um mês. Veio para o Brasil fugindo das situações de guerra e conflitos constantes que vive a Palestina. Ele contou que trabalhava em um açougue, mas com a crise viu descer água a baixo suas possibilidades de crescimento econômico.

Durante a entrevista ele disse repetidas vezes, com um pouco de dificuldade na conversação, uma vez que o seu idioma é o hebraico: “Muito obrigado, muito obrigado. Graças a Deus temos uma casa para nos acolher. Graças a Deus. Muito obrigado”.

“O maior desafio é a língua e a cultura”, diz congolês

Kanga MokeNem tudo é mar de rosas para quem tem que deixar sua cultura em busca de melhores condições de vida. Kanga Moke, 35, dá testemunho sobre os desafios da adaptação a um novo mundo. Natural do Congo – África, há 8 anos no Brasil, Kanga cativa as pessoas pela sua simpatia, educação e serenidade. Ele narra que não foi fácil se adaptar a costumes tão diferentes daqueles do seu país.

“O Brasil é muito diferente do meu país e estranhei muito a maneira como vivem os brasileiros. Eles tem muita liberdade e me perguntava de vez em quando: em que mundo estou? Hoje já me acostumei.

Ao ser questionado sobre a questão da liberdade, Moke, explicou: “Por exemplo, aqui o povo pode falar o quiser, fazer o que quiser na frente da pessoas”. E afirmou que em seu país há limites para a liberdade. “Há coisas que ninguém pode ver, como por exemplo, se beijar na rua, na frente de crianças, de estranhos, mas, já me acostumei”, justifica.

Segundo Kanga, e a maior dificuldade é a língua. “Quando me diziam bom dia, eu me perguntava o que era isso. No Congo falava o dialeto e o francês”.

Para o congolês participar da Missão Scalabriniana, é poder ajudar os imigrantes que chegam na mesma condição que ele chegou. “Eu quero contribuir e ajudar. Sou um deles, sofri muito e quero partilhar a minha experiência e orientar os que aqui chegam. É bom estar aqui”, atesta. Na Missão Scalabriniana Kanga Moke atua como sócio-educador no período da noite, uma vez que a casa funciona por 24 horas.

Formado em engenharia eletromecânica, Kanga Moke tem outros sonhos profissionais. Pensa ser enfermeiro ou assistente social.

“Me sinto mãe de cada um deles e os chamo ‘meus filhos'”, diz cozinheira

Simone Spina SantanaSimone Spina Santana é cozinheira na Missão Scalabriniana. Emocionada, ela garante que trabalhar
para e com os imigrantes é uma lição de vida. “Faço de tudo um pouco aqui como faxina, lavo vidro. Esses jovens chegam aqui sem a família. Me sinto mãe deles e os chamo de meus filhos. Amo ficar aqui e faço tudo com muito carinho, dou o melhor de mim. Aprendi a amar a gostar das Irmãs e é uma troca muito grande”.

Santana deixa um recado para aqueles que tem algum tipo de pré-conceito com os imigrantes. “Venha passar um dia inteiro aqui, ouvir as suas histórias, conversar com eles. Me enriqueço culturalmente e até o francês estou aprendendo com eles”.

Entre os imigrantes, que são na maioria do sexo masculino, se somam algumas mulheres que enfrentam os riscos da imigração na corrida pela vida.

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Felmaur Larufi, é natural de Uitenhage, Eastern Cape, África do Sul. Ela se comunica somente em inglês, sua língua oficial. “Vim para o Brasil na tentativa de conseguir emprego, pois vemos o Brasil como um país muito rico, onde se pode crescer e onde teremos oportunidades que não encontraremos em outro país”.

Laurifi ainda não conseguiu emprego, e acredita que o primeiro passo é se empenhar no estudo do português.

Huguete Lubaki Kimango, 24, natural do Congo está no Brasil há um ano. Ela explicou que veio para São Paulo a convite de um tio. “Ele me disse que viver no Brasil é muito bom. Sou fisioterapeuta e como não falo o português, ainda não consegui emprego na área mas sonho com isso. Quero muito melhorar o português”, manifestou. Kimango trabalha como ajudande de cozinha na Missão Scalabriniana.

A Missão Scalabriniana

ertaA Missão Scalabriniana é a mais nova obra inaugurada no centro de São Paulo para acolher aos migrantes. Pertencente à Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo- Scalabrininas que tem por missão, há 120 anos, a acolhida aos imigrantes e refugiados, a casa foi inaugurada no dia 14 de outubro para atender cerca de 150 imigrantes. No momento, de acordo com informação da coordenação, a casa já abriga 140 deles.

O trabalho é feito em parceria com a prefeitura, o que segundo a gerente geral, Irmã Erta Lemos, facilita no enfrentamento dos desafios sócio-econômicos que são comuns nesse tipo de serviço. “A prefeitura de São Paulo é a grande aliada que nos deu a possibilidade de prestar esse serviço, pois sozinhos não conseguiríamos uma vez que ficaria muito caro economicamente. Além do mais é preciso ser forte moralmente para enfrentar todas as contradições que vem de fora, da sociedade”, contou a religiosa.

Lemos acrescentou que apesar do preconceito que é visível, existem muitas manifestações de apoio por parte da sociedade. E foi enfática: “Nós Scalabrinianas estamos muito, muito, muito felizes por poder prestar este serviço aos imigrantes. É a Jesus que nós servimos na pessoa de cada um deles”.

A gerente afirmou que a Missão aceita todo tipo de ajuda: material de limpeza, alimentos, roupas de cama, material para berçário, alimentação e outros.

Para saber mais sobre a missão e ajudar, ligue para: (011) 2539-5593

Por irmã Rosinha Martins

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