62ª Assembleia Geral dedica manhã inteira à pastoral juvenil e dá passos concretos rumo a um novo horizonte para a juventude na Igreja
A Igreja no Brasil demonstrou, na manhã desta quarta-feira, 22 de abril, que os jovens estão no centro de suas preocupações e esperanças. Durante o oitavo dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AGCNBB), as duas sessões da manhã foram inteiramente dedicadas à evangelização juvenil, e o que se viu foi uma Igreja que ouve antes de falar.
Um documento que nasce da escuta
A Comissão Episcopal para a Juventude apresentou a proposta de atualização do Documento 85, “Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas pastorais”, publicado originalmente em 2007. O processo de renovação não começou numa sala fechada: nasceu do encontro dos responsáveis pela juventude de mais de 200 arqui/dioceses brasileiras e foi aprovado pelo Conselho Permanente da CNBB em novembro de 2024.

Dom Vilsom Basso, bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão Episcopal para a Juventude, apresentou o grupo de trabalho responsável pela revisão e detalhou a linha do tempo do processo. A mensagem que ficou é clara: este documento quer ser fiel à realidade dos jovens brasileiros de hoje.
Quase 11,5 mil jovens ouvidos
Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi a revelação dos dados da pesquisa nacional realizada ao longo do Jubileu de 2025, nos meses de abril, maio e junho. Em parceria com a Universidade Católica de Brasília com a Cátedra Unesco de Juventude, o Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista e a PUC-Rio, a Comissão ouviu 11.498 jovens e adolescentes, majoritariamente católicos.
“A Comissão fez este levantamento que é equitativo, proporcional, válido cientificamente”, destacou dom Vilsom. Com os resultados em mãos, em julho de 2025 foi constituída a Comissão de Redação, formada por pessoas que acompanharam cada etapa das escutas realizadas.

Ver, julgar e agir: jovens e bispos juntos
O texto foi construído a partir da clássica dinâmica do ver-julgar-agir, e sua apresentação à Assembleia contou com vozes diversas. Patrícia Teixeira, do Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista, apresentou o grupo “Ver”. Dom Gilson Andrade da Silva, bispo de Nova Iguaçu, trouxe a perspectiva do “Julgar”. E o “Agir” foi apresentado por Layla Kamila, dos Jovens Conectados/CNBB.
Após as apresentações, os bispos se reuniram nos 19 regionais da CNBB para leitura e reflexão sobre a nova versão do documento. Em plenária, cada grupo trouxe sugestões para aprimorar o texto, num exercício coletivo e sinodalidade viva.






Próximos passos com esperança
Ao final da plenária, os bispos decidiram continuar o processo de elaboração e amadurecimento do documento. O novo texto quer estar em plena sintonia com o magistério da Igreja e responder com coragem aos desafios do tempo presente, sem deixar de reconhecer a riqueza e o legado do Documento 85. Entre as novidades que o texto incorpora estão novas linhas de ação que abraçam a comunicação e a ecologia integral, dois temas que falam diretamente à geração que a Igreja deseja alcançar.
A mensagem que a 62ª AGCNBB envia aos jovens do Brasil é de esperança: a Igreja está em movimento, está ouvindo, e acredita na evangelização juvenil.
da redação, Layla Kamila, direto da 62ª Assembleia Geral da CNBB.
Créditos fotográficos: CNBB/ cnbb.org.br/62agcnbb


