Encontro Nacional de Assessores da Pastoral Juvenil: Evangelizar é viver a fé

Encontro Nacional de Assessores da Pastoral Juvenil: Evangelizar é viver a fé

Foto: Felipe Rodrigues / Jovens Conectados

Abertura do Encontro Nacional de Assessores da Pastoral Juvenil, dia 29 de novembro de 2012, na Paróquia Santo Antônio, em Brasília

Em primeiro dia de encontro, assessores refletem sobre o testemunho do Evangelho no trabalho na pastoral juvenil

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O cristão deve viver o Evangelho e dar testemunho dele. Esta é a mensagem que perpassou a abertura do Encontro Nacional de Assessores da Pastoral Juvenil, que aconteceu na noite desta quinta-feira (29) em Brasília. Com o tema “A Juventude no Ano da Fé”, o objetivo do encontro, que ocorre até o dia 2 de dezembro, é buscar auxiliar os assessores na missão de acompanhar os jovens na educação da fé.

Estão presentes no encontro assessores diocesanos do Setor Juventude, além de assessores nacionais das pastorais da juventude, de novas comunidades, movimentos, congregações e organismos que trabalham com os jovens. O encontro está sendo trasmitido ao vivo pelo site www.jovensconectados.tv.

Logo na abertura, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organizadora do evento, observou que a questão central da evangelização da juventude não está nos jovens, mas nos adultos.

– A gente vai percebendo que a juventude responde de maneira muito rápida, criativa e entusiasmada às nossas propostas. Só não responde mais porque não encontra mais propostas, mais oportunidades. Acreditamos que a questão central para deslanchar o trabalho com a juventude se encontra em nós, adultos, que precisamos impulsionar o jovem – disse dom Eduardo Pinheiro.

Também integrante da comissão, dom Dino Marchío, que nasceu na Itália, mas mora há muitos anos no Brasil e é bispo de Caruaru (PE), disse que o Brasil é chamado a dar um sinal da nova evangelização trabalho que começa com a juventude.

A primeira noite do encontro foi dedicada a discutir a evangelização em três realidades diferentes: no meio universitário, nas comunicações e entre os mais fragilizados, além das perspectivas da nova evangelização no mundo contemporâneo.

Meio universitário

Irmã Maria Eugênia, do Setor Universidades

A irmã Maria Eugênia Lloris Aguado, assessora do Setor Universidades da CNBB, falou da experiência de evangelização no meio acadêmico, onde há desafios específicos, como o de estabelecer o diálogo com a intelectualidade. Ela alertou para o perigo de “demonizar” a universidade e disse que é necessário a Igreja estar nesse espaço, onde ocorrem transformações da sociedade e do pensamento e onde os jovens estão presentes, com espírito aberto.

A irmã Maria Eugênia foi a primeira a falar da necessidade de viver o Evangelho para ser sinal de transformação. E disse que mesmo uma única pessoa pode fazer a diferença: um aluno, ou um professor, convictos, vivendo em sala de aula aquilo em que acreditam, podem evangelizar, pelo exemplo, os seus colegas.

– Precisamos ser autênticos seguidores d’Aquele que nos dá a vida, não apenas transmissores de doutrina – disse.

A assessora do Setor Universidades também conclamou as demais pastorais e movimentos que evangelizam no meio acadêmico a se unirem e se articularem.

– O maior desafio da nossa Igreja hoje é trabalharmos juntos, sairmos da nossa fragmentação – avaliou.

Pastorais Sociais

Padre Ari Antonio dos Reis, da Comissão Episcopal Pastoral Para a Caridade, Justiça e Paz

Logo em seguida, o padre Ari Antônio dos Reis falou sobre a realidade da fé e as questões sociais. Assessor nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Caridade, Justiça e Paz da CNBB, ele falou um pouco da história e da organização das pastorais sociais e dos documentos da Igreja que embasam a opção preferencial pelos pobres, manifestada de forma mais clara principalmente a partir da Conferência de Puebla, em 1979.

De acordo com padre Ari, a Igreja é chamada a ser advogada dos pobres e ela responde a esse chamado por meio das pastorais sociais, que lidam diretamente com os mais fragilizados, como os migrantes, o povo de rua, os idosos, as mulheres marginalizadas, os encarcerados, os povos indígenas, as crianças, os adolescentes, etc.

Segundo o assessor da Comissão para a Caridade, Justiça e Paz, a ação pastoral é uma ação social pelas implicâncias que tem na sociedade. Ele afirmou que essa ação tem dimensão curativa, pelo cuidado necessário à vida ameaçada; e profética, pela denúncia das ameaças à vida. Ainda segundo padre Ari, pela pertinência social, a ação pastoral é ação política, no sentido de que se volta para o bem comum.

Ele também falou da importância de viver a mensagem evangélica no dia a dia, levando o amor de Cristo aos irmãos mais necessitados.

– A fé é uma experiência de graça que é vivida na verticalidade como abertura ao dom de Deus; e, na horizontalidade, pelo dialogo com o mundo e pelo cuidado com os mais fragilizados – afirmou padre Ari.

Comunicar a fé

Padre Wagner Ferreira, formador geral da Comunidade Canção Nova

O padre Wagner Ferreira, formador geral da Comunidade Canção Nova, falou sobre a realidade da fé no mundo da comunicação juvenil. Ele lembrou que o universo da comunicação – e mais especificamente, o das redes sociais, exerce grande fascínio sobre as pessoas, principalmente sobre os jovens. E observou que a Igreja está atenta a esse fenômeno, que vem sendo abordado pelos papas João Paulo II e Bento XVI em suas mensagens.

O formador geral da Canção Nova recordou que o beato João Paulo II considerava a internet um meio que oferece excelentes oportunidades de evangelização, fornecendo informações, suscitando interesses e promovendo encontros.

– A internet possibilita essa aventura do encontro. Mas, como dizia o beato João Paulo II, citando Santo Agostinho, o coração inquieto só terá repouso no encontro com Jesus Cristo – disse.

Padre Wagner destacou a necessidade de aliar capacitação profissional e formação espiritual para que essa missão seja bem cumprida. Ele foi o terceiro a falar da necessidade de viver no dia a dia a mensagem que se deseja comunicar.

– É certo que não basta boa vontade para promover a evangelização. É preciso capacitação profissional. Mas isso deve ser bem acompanhado de uma formação cristã da juventude. Os agentes deverão ser testemunhas de Cristo por uma vida comprometida com os valores evangélicos.

Nova Evangelização

Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Católica Shalom

A noite foi encerrada com a fala do fundador da Comunidade Católica Shalom, Moysés Azevedo, que tratou das perspectivas da nova evangelização no mundo contemporâneo. Ele, que participou como convidado do Sínodo sobre a Nova Evangelização, falou que evangelizar não é uma opção para os cristãos, mas sim uma exigência amorosa que surge do seguimento de Cristo.

A Nova Evangelização é entendida como um chamado a levar a palavra de Cristo a todos, inclusive àqueles que já são cristãos, usando também novos métodos. É uma necessidade tão premente que levou o papa Bento XVI a criar um Pontifício Conselho dedicado ao tema.

Reforçando o que já havia sido dito pelos outros palestrantes, Moysés disse que essa nova evangelização passa por várias questões, mas principalmente pela experiência íntima com Cristo, uma experiência pessoal, mas que também diz respeito à sua vivência em sociedade. A nova evangelização, disse ele, passa por um coração compassivo, capaz de contemplar Jesus nos irmãos.

– Passa pela proclamação do querigma de Cristo, pela transmissão viva da fé.

Moyses lembrou que, nos Evangelhos, quando Jesus se encontrou com Zaqueu, primeiro se aproximou dele, o acolheu amorosamente, e somente depois disse o que era preciso fazer para aderir à sua mensagem.

– Primeiro, o anúncio explícito de Cristo, e, só depois, as exigências do seu seguimento.

O fundador da Comunidade Shalom acrescentou ainda que, para a nova evangelização, é preciso que haja uma adesão radical ao Evangelho – que nos leve a mudar de vida. Ele falou também da importância da comunhão para a missão, de modo que se valorize a diversidade e a complementaridade de dons.

Por Moisés Nazário

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