Teologia do Corpo: conhecimento e procriação

Publicado em 26 de Maio de 2016 Por Seja o primeiro a comentar!

familiaEste é o 10º artigo da série Teologia do Corpo
“Crescei e multiplicai-vos

O fato de o homem e a mulher, por sua constituição física magnificamente desenhada pelo Criador, terem a chance de se unir intimamente, tão intimamente entre si a ponto de formar “uma só carne”, tem sido definido como “conhecimento”. Na linguagem cotidiana, quando afirmamos que “conhecemos” algo ou alguém, normalmente nos referimos a um conhecimento cognitivo, em nível psicológico. É interessante a linguagem bíblica equiparar o conhecer psicológico com o ato sexual, que é algo, à primeira vista, apenas físico. Dizemos “à primeira vista” porque já se vê uma brecha para compreendermos que, desde o princípio, corpo e alma jamais poderiam estar dissociados. A união – o conhecimento – do corpo é algo profundamente ligado com o conhecimento, a intimidade, a comunhão da pessoa em si. Ora, esta é a base do matrimônio. O verbo “conhecer” usado nos dois sentidos vem da pobreza linguística de termos um outro vocábulo mais adequado, mas acaba nos revelando esta grande verdade. “Conhecer” envolve todo o nosso ser, é um dom de corpo e alma para o outro. O próprio Papa afirma que conhecer = unir-se.

Crescei e multiplicai-vos…” (cf. Gen 1, 28 ). Certa vez, numa exegese deste pequeno trecho do versículo aprendemos que, primeiramente devemos crescer, para depois nos multiplicarmos. Crescer indica amadurecimento, é algo qualitativo. Multiplicar é um verbo da área matemática e, portanto, indica algo quantitativo: aumentar o número dos filhos de Deus, o número dos que vão adorá-lo e participar da sua felicidade eterna.

Reconhecemos verdadeiro milagre do potencial procriativo que Deus deixou impresso em nossos corpos masculino e feminino, que, graças a essa distinção sexual participam da geração de uma nova vida. “O homem se uniu a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, dizendo: “Ganhei um homem com a ajuda do Senhor.” (Gen 4, 1). “O conhecimento condiciona a geração”, afirma São João Paulo II (Teologia do Corpo 21, nº 3, de 12 de março de 1980). Tal afirmação aponta para as duas dimensões inseparáveis do ato conjugal já desde o princípio: a dimensão unitiva – associada ao “conhecimento” – e a dimensão procriativa – associada à “geração” – binômio que dá título a esta seção que fecha o primeiro ciclo: o “Princípio”.

Conhecimento, ou seja, o ato conjugal, e procriação, a capacidade de gerar uma nova vida estão intimamente ligados na essência mais profunda da sexualidade humana e, portanto, não podem estar dissociados. Daí, concluímos o ensinamento perene da Igreja que afirma corajosamente que a contracepção e a reprodução artificial são males intrínsecos, pois ferem frontalmente essas duas dimensões. Continua ainda a catequese:

“A procriação faz que “o homem e a mulher (sua esposa)” se conheçam reciprocamente no “terceiro”, originado de ambos. Por isso, este “conhecimento” torna-se uma descoberta, em certo sentido, uma revelação do novo homem, no qual ambos, masculino e feminino, ainda reconhecem a si mesmo, e no qual reconhecem a humanidade de ambos, a imagem viva de ambos. (…) … esse conhecimento comporta especial consciência do significado do corpo humano, ligado à paternidade e à maternidade.” (Teologia do Corpo 21, nº 4, de 12 de março de 1980)

Em especial relevo, no texto de Gênesis 4, 1 está o mistério da feminilidade que se manifesta e revela em toda sua profundidade mediante a maternidade: “concebeu e deu à luz”. “A mulher apresenta-se diante do homem como mãe, sujeito da nova vida humana, que nela é concebida e se desenvolve, e dela nasce para o mundo. Assim se revela também em toda profundidade o mistério da masculinidade do homem, isto é, o significado gerador e “paterno” do seu corpo.” (cf. Teologia do Corpo 21, nº 2, de 12 de março de 1980).

Com a entrada do pecado no mundo, vemos o ciclo do “conhecimento-procriação” mostrar mais uma linda faceta. É a vida que luta contra morte, e sempre a domina. O conhecimento passa a ser um novo princípio e a procriação gera mais ser humano, que partilha minha natureza, que é também “osso dos meus ossos e carne da minha carne” e que vai começar sua história. Milagre de amor e de vida!

tati-ronaldo2Por Tatiana e Ronaldo de Melo assessores do Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar/Arquidiocese do Rio de Janeiro

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