Teologia do Corpo: A Inocência Original

Publicado em 12 de maio de 2016 Por Seja o primeiro a comentar!

Este é o 9º artigo da série “Teologia do Corpo”
“… osso dos meus ossos e carne da minha carne…”

 

“Não sentiam vergonha”, esta é a essência da Inocência Original. No Princípio o que é importante considerar que se trata de uma verdadeira não-presença de vergonha. Não se tratava de uma vergonha parcial ou uma vergonha subdesenvolvida, mas inexistência deste sentimento. Também não podemos considerar a inocência no sentido de ignorância ou desconhecimento. Na verdade, trata-se de uma realidade como aquela para a qual somos convidados pelo próprio Cristo: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18, 3). É com o coração puro como o de uma criança que não percebe maldade em nenhuma das partes do seu corpo, afinal, impera o reconhecimento de que tudo o que Deus criou é intrinsecamente bom. Deste modo, no Princípio, ou seja, na nossa essência original, toda embebida no Amor de Deus, não havia a menor necessidade do para escondermos o nosso corpo.

O cerne da nossa reflexão de hoje está no trecho de Gn 3, 7: “Então, abriram-se os olhos dos dois e perceberam que estavam nus; entrelaçaram folhas e se cingiram”. Foi esse “então” o divisor de águas entre a Inocência Original sonhada e querida por Deus, e a ruptura da primeira Aliança pelo pecado e suas consequências. O homem e a mulher sempre estiveram nus até o momento em que pecaram. E, a nudez de ambos não era causa de constrangimento ou vergonha, nem entre eles e, muito menos, entre eles e o próprio Deus.

Não sentir vergonha revela o estado de consciência do homem e da mulher, tanto que o homem já tinha a experiência da feminilidade revelada no corpo da mulher, assim como, a mulher também conhecia a masculinidade presente na nudez do corpo do homem, e não havia motivo para vergonha. O amor autêntico de um pelo outro permitia uma doação total, sem reservas. Nada havia a esconder: por isso mesmo, a nudez do corpo, revelava a nudez da alma. A análise de Gn 2, 25 – “estavam nus, mas não sentiam vergonha” – e Gn 3, 7 – “reconheceram que estavam nus” – permite verificar uma mudança acerca da vergonha, muito mais profunda que a do mero âmbito físico da visão dos corpos um do outro.

Após o pecado, um começa a olhar o outro não mais com esse amor-dom, mas com luxúria e cobiça. A vergonha, então, entra em cena. Ela tem um aspecto negativo, pois é a triste consequência do pecado, mas traz também em si, algo de positivo. A vergonha nos ajuda a preservarmos a sacralidade do nosso corpo, prevenindo que ele seja objeto de uso e abuso.

A percepção exterior da nudez física, espelha a visão interior do homem em Deus, segundo a medida da “imagem de Deus” (Gn 1, 17). Com isso, nada fica oculto para Deus que, através de sua Sabedoria, chega ao mais íntimo do homem. “A Sabedoria… atravessa e penetra tudo, graças a sua pureza” (Sb 7, 24). Finalmente, somos todos convidados a repensar nossas atitudes, a retornar ao “Princípio” resgatando a pureza e inocência do coração, tornando-nos desse modo homens e mulheres autênticos.

tati-ronaldo2Por Tatiana e Ronaldo de Melo assessores do Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar/Arquidiocese do Rio de Janeiro

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