Teologia do Corpo: A concupiscência nas relações entre homem e mulher

Publicado em 14 de outubro de 2016 Por Seja o primeiro a comentar!

Este é o 15º artigo da série Teologia do Corpo

No Sermão da Montanha, Cristo nos revela o “desejo” que nasce do coração humano. Um coração que ao afastar-se do seu criador adquire forma e comportamento distanciados do que fora sonhado para o homem. Na sua primeira epístola, São João, na passagem de 2, 16-17, nos enuncia: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o orgulho da riqueza, não vêm do Pai, mas no mundo”. Essa tríplice concupiscência nasce e vive no mundo. Ela não se origina na criação, mas tem seu início no afastamento da humanidade do seu criador. E, justamente, ao romper a aliança com Deus através do pecado do homem, o mundo se torna lugar e fonte da concupiscência, ou seja, dessa má inclinação que temos e que nos deixa atraídos pelo pecado.

Compreendido o sentido do mundo como lugar de onde surge a concupiscência, partimos para a reflexão do “homem de desejo”, de cujo coração brotam os desejos que levam ao pecado, ao comportamento que o afasta da realidade inicial da criação. O momento chave a ser analisado é aquele em que é posto em dúvida o dom, pois é exatamente aí que entra a incerteza, já que o homem não acredita que haja apenas o Bem, mas passa a crer também no mal.  Nega, assim, o dom da humanidade na verdade do seu duplo ser, enquanto imagem e semelhança de Deus, masculino e feminino.

“… E perceberam que estavam nus”. A partir desta passagem, nos damos conta do novo estado da natureza humana. Este seria, então, o primeiro sinal da concupiscência no coração do homem. Percebemos que a vergonha sentida e manifestada pelo homem e pela mulher não vem da pureza do coração sonhado por Deus, mas daquele mundo desligado, afastado, modificado do plano original da criação.

Foto: Djair&AnaCarolina

Foto: Djair&AnaCarolina

O corpo humano, na sua masculinidade e feminilidade não é só fonte de fecundidade, mas desde o princípio tem caráter esponsal, ou seja, é capaz de exprimir o amor com que o homem-pessoa se torna dom. O homem e mulher, em sua unidade de corpo e alma, são como que projetados por Deus um para o outro, o que significa que nascemos para nos darmos uma ao outro como esposos e esposas. Isso é o que nos diz claramente a diferença sexual.

Logo, modificando o sentido original da sexualidade humana na sua relação recíproca homem-mulher, o corpo se torna um simples objeto de atração, deixando de ser dom, perdendo seu caráter esponsal. Chegamos aqui ao centro deste nosso estudo, pois é justamente onde percebe-se a deformação das relações entre homem e mulher. Quanto mais o coração do homem se afasta de Deus, mais cheio da concupiscência ele fica, e ficando assim menos ele experimenta o significado esponsal do corpo. O corpo da mulher se torna simples objeto de desejo e de uso para o homem e vice-versa. Deixa-se de perceber a presença real da pessoa, única criatura que Deus quis por si mesma.

O convite que recebemos para construirmos sólidas relações entre o homem e a mulher, ao sermos dom recíproco, nos direciona a uma visão ampla da corporeidade e da sexualidade humanas, para que possamos ver no outro e na outra uma criatura divina, um ser humano feito à imagem e semelhança de Deus. Só com esta visão integral do ser humano promoveremos a união como comunhão de pessoas.

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Por Tatiana e Ronaldo de Melo – assessores do Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar/Arquidiocese do Rio de Janeiro

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