Quando orar não é fácil

Publicado em 6 de abril de 2011 Por Seja o primeiro a comentar!

Em “Dios adentro”, o senhor fala da “fé adulta”. Também na fé existe um processo de maturidade?

Pe. Larrañaga: Claro, o da superação de uma fé racional ou muito focada na busca da segurança; uma fé capaz de assumir todos os tipos de riscos e medos. É essa fé que permitiu a Abraão caminhar na presença do Senhor, que se torna a inspiração, o centro e o sentido da sua vida.

O senhor diz que o mais desconcertante para o homem é o silêncio de Deus. A oração é a melhor maneira de “sintonizar” com Ele?

Pe. Larrañaga: A oração é o caminho para estabelecer uma corrente afetiva com um Tu, de modo que duas presenças já conhecidas e amadas se tornam mutuamente presentes e se estabelece aquela corrente de dar e receber amor e ser amados no silêncio do coração, na fé, no amor.

É preciso recordar que a oração é um dom de Deus, o primeiro dom de Deus; mas é também uma arte, porque é a convergência entre a graça e a natureza. E, como a arte, está sujeita às normas de aprendizagem e outras leis psicológicas. Orar bem, por isso, exige método e disciplina.

Rezar um Pai-Nosso ou uma Salve Rainha é fácil. Mas quando se trata de concentrar as energias mentais em um Tu, no silêncio do coração, na fé, no amor… orar não é fácil. Você tem que acalmar os nervos, soltar a tensão, silenciar os clamores interiores e, na última solidão do ser, acolher o mistério do infinito de Deus e… adorar! Isso não é fácil.

“Aquele que se sente amado por Deus não conhece o medo”, diz “Dios adentro”. Em nossa sociedade cheia de medos, rezar liberta? Falar com Deus e experimentá-lo pode anular definitivamente os nossos temores?

Pe. Larrañaga: Viver em profundidade a presença amorosa e poderosa do Pai, experimentar sua ternura em toda a densidade, viver abandonado e cheio de confiança em suas mãos… tudo isso desterra inexoravelmente e para sempre os medos e temores do coração. E em seu lugar chega a paz.

Mas, para rezar, é preciso perseverar na paciência, na fé pura e desnuda. Permanecer sozinho, com atenção amorosa e calma em Deus, em serenidade e quietude. E Deus fará o resto.

Da Agência Zenit

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