Propostas para as expressões juvenis redescobrirem a leitura orante da Bíblia

Publicado em 8 de setembro de 2019 Por Seja o primeiro a comentar!

Propostas para as expressões juvenis redescobrirem a leitura orante da Bíblia

“Toda Bíblia é comunicação de um Deus amor, de um Deus irmão…”.

Qual o jovem que nunca escutou essa canção em uma Missa celebrada em nossas comunidades, nesse período de setembro? É uma canção que marca o mês da Bíblia, em que toda a nossa Igreja do Brasil deve se dedicar, de modo particular a Palavra de Deus, em sintonia com as Novas Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas na Assembleia Geral desse ano de 2019 sob a expressão “Casa do Pão”.

O tema do Mês da Bíblia deste ano é “Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Primeira Carta de João” e o lema traz a citação “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). O verbo amar é uma palavra chave da Primeira Carta de João. O lema recorda que o amor provém de Deus e chega a todas as criaturas. O amor de Deus é a fonte de inspiração para toda as nossas iniciativas…

Para a Igreja do Brasil, desde de 1971, setembro tornou-se o Mês da Bíblia e, já desde 1947, o último domingo do mesmo mês é comemorado como Dia da Bíblia. Talvez nem façamos ideia, mas a Bíblia é o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda a história da humanidade. Só no século XX foram impressos mais de um bilhão e meio de exemplares, em mais de mil e seiscentos idiomas diferentes, tornando-se o maior “best-seller” de todos os tempos.

Nunca a palavra de Deus foi tão meditada, lida e comentada como em nossos dias. Fica-nos então a pergunta: as expressões juvenis, desafiadas de várias maneiras pela cultura urbana, podem dinamizar e se enriquecer com essa proposta pastoral da Igreja nesse mês da Bíblia? Sem a pretensão de esgotar o assunto, venho propor aos jovens algo que possa levá-los a amar mais as Sagradas Escrituras, como uma salutar fonte de vida.

Em primeiro lugar, queremos apontar três atitudes fundamentais que precisamos cultivar dentro de nós, quando nos aproximamos da Bíblia, queremos indicar como ela deve ser lida: lenta, atenta e amorosamente.

– Lentamente: não somos acostumados a ler lentamente. Hoje temos quase uma voracidade compulsiva em ler muito. Há, poderíamos dizer, uma concentração artificial de ideias que não conseguimos digerir. É muito importante na oração evitar essa “fome de palavra”, ter mais cuidado na escolha do que lemos e ler mais lentamente, quase saboreando palavra por palavra, repartindo as palavras como se fossem uma fruta que queremos saborear e não apenas engolir;

– Atentamente: prestar atenção ao que se diz ou se lê. Para Santa Teresa, este é o segredo da verdadeira meditação. “É preciso –  diz ela – saber o que diz e para quem diz, para que seja verdadeira oração”. A mesma pedagogia se deve ser usada quando se quer compreender o que se estar lendo para poder penetrar no seu sentido. Três perguntas podem ser úteis aqui: “O que diz a Palavra?”,  “Para quem é dirigida?” e “O que diz para mim hoje?”. Essa releitura da Palavra é fundamental para, diante dela, não nos portarmos como espectadores ou visitantes de um museu, mas atualizá-la para a nossa vida;

– Amorosamente: ler com amor, como se a Palavra ou o texto fosse dirigido tão somente a nós. Essa personalização da Palavra é fundamental para que possamos ser “tocados” pelo espírito do autor que, quando escreveu, tinha uma finalidade: sermos alimentados pela Palavra ouvida e meditada. Quando se ler algo com amor, produz-se mais fruto dentro de nós.

A experiência da Lectio Divina

Assim, alguns passos simples poderiam ser dados para ler e meditar um texto bíblico. Apresentamos aqui, os quatro passos da Lectio Divina. É importante que você busque um lugar tranquilo, onde se possa criar um ambiente calmo e recolhido, com silêncio ou música de fundo, como for melhor. Assim feito siga:

– Leitura: Nesse passo você deve ler, reler, confrontar passagens paralelas; interpretar símbolos, ver personagens: quem fala, como fala, a quem fala, quando fala, onde fala, como agem e reagem as personagens. “Nesse passo você deve procurar responder: Que diz o texto?”;

– Meditação: Que valores profundos me evoca o texto? Que sinto ou experimento? Como reajo ao ler este texto? Com que relaciono o texto? Existem duas fases na meditação: a primeira de recolher, juntar, reservar sem preguiça; a segunda, de ruminar, digerir tudo o que se recolhe, deixar que as palavras se liguem entre si, criando clima, atenção e calor e preocupando-se para que nada te roube a Palavra… É preciso discernir, confrontar e deixar que as palavras que foram recolhidas, guardadas e observadas, classifiquem-se umas às outras. Feito isto, a Palavra faz o resto. Nesse passo você deve procurar responder: “Que me diz o Senhor neste texto?”;

– Oração: no silêncio, pela palavra, pelo canto, pelo gesto… o que digo ao Senhor? Que palavras, canto, silêncio ou gesto me provoca a Palavra que acabei de ler e meditar? Para esse passo busco responder: “Que digo eu ao Senhor que me fala neste texto?”;

– Contemplação: Agora é o momento de observar os efeitos dessa Palavra sobre você, sobre a sua vida: Que sinto em mim? Que experiência me é dada viver agora?

Você pode estar se perguntando: mas por onde devo começar a leitura? Que livro ler primeiro? Devo ler o Antigo ou o Novo Testamento? Bem, há muitos livros católicos com sugestões de leituras, mas uma opção bem eficaz e tradicional é a Liturgia Diária, ela traz as leituras que em cada dia a Igreja medita, na Celebração Eucarística.

Enfim, proponho a todos a leitura diária da Bíblia, todos os dias sem exceção. Ler quando estiver com vontade, quando sentir falta, mas também quando não estiver com vontade nenhuma. Assim como você alimenta o corpo todos os dias, deve também alimentar diariamente o seu projeto de vida com a Palavra de Deus. Reze com ela e nela, descubra as maravilhas que Deus deseja lhe confiar! Entre na sintonia com a Igreja do Brasil nesse mês de setembro e faça as suas descobertas, a ponto de afirmar com convicção: “Tua Palavra é lâmpada para os meus Senhor…”.

Dom Nelson Francelino,
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral
para a juventude.

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