Pensamentos enlouquecedores

Publicado em 13 de junho de 2016 Por 1 Comentário
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Imagem meramente ilustrativa

Mesmo que estejamos acostumados a pensar de uma determinada forma e fazer as coisas de certas maneiras, devemos prestar atenção em nossos pensamentos e atos e perceberemos que alguns deles deveriam ser extintos e/ou trocados por outros mais coerentes e efetivos. Quer dizer que algumas coisas do nosso modo de ser, não ajudam; ao contrário, atrapalham e bastante.

Já sabemos que o que pensamos influencia no que sentimos e que estes dois fatores influenciam em nosso modo de agir. Pois, bem, podemos afirmar que tudo começa com nossos pensamentos. Se eles são bons, realistas, ajustados, temos saúde! Somos felizes na medida certa e sofremos de forma coerente diante dos desafios da vida. Se nossos pensamentos são ruins, irrealistas, desajustados, adoecemos psíquica e até fisicamente e não aproveitamos os momentos felizes em sua plenitude e sofremos exageradamente quando encontramos dificuldades.

Então você deve estar se perguntando: “Como posso saber quais pensamentos são bons ou não? O que fazer com eles? Pois bem, seguem pensamentos que não são bons. Em hipótese alguma, pensar da forma que segue, ajuda em alguma coisa. O maior desafio será identificar que você tem estes pensamentos. Por quê? Por que eles são inconscientes. Raciocinamos de acordo com as afirmações abaixo e não percebemos; por vezes, até negamos! Então, como descobri-los? Observando seu comportamento e analisando quais são os pensamentos que estão por trás deles. É um trabalho que exige habilidade e já sabemos que toda habilidade é fruto de aprendizado e treinamento. Então, vamos lá!

Esses tipos de pensamentos são um resumo de todas as formas de pensar do ser humano, que não ajudam em nada. Dificilmente uma pessoa apresentará todos eles. Geralmente apresentamos alguns. E, como a história de vida de cada um é única, as pessoas variam bastante em relação à quantidade e variedade de combinações. Um terapeuta treinado auxilia seu paciente a identificá-los e a mudá-los. Mas, com bastante treino, você pode ser capaz de fazê-lo sozinho(a).

São eles:
1. É extremamente necessário para um ser humano ser aprovado por todos, em tudo o que faz.
2. Certos atos são terríveis e pecaminosos e, por isso, devem ser severamente punidos.
3. É horrível quando as coisas não estão exatamente do jeito que gostaríamos que fossem.
4. As desgraças do ser humano são causadas por pessoas e (ou) eventos externos.
5. Se alguma coisa pode ser perigosa ou amedrontadora, deve-se ficar extremamente perturbado por isso.
6. É mais fácil evitar do que enfrentar as dificuldades da vida e as próprias responsabilidades.
7. As pessoas sempre precisam de alguém mais forte do que elas próprias para se apoiar.
8. Deve-se ser absolutamente competente, inteligente e merecedor de todo respeito.
9. Porque algo afetou fortemente a vida de alguém um dia, vai continuar a afetá-la indefinidamente.
10. Deve-se ter controle absoluto e perfeito sobre todas as coisas.
11. A felicidade humana pode ser adquirida através da inércia e inação.
12. Não se tem praticamente nenhum controle sobre as próprias emoções. Não se pode controlar as emoções que certos eventos nos causam.

Qualquer um dos pensamentos acima são perigosos. A questão é que algumas pessoas têm estas crenças e não admitem, pois sabem que não deveriam pensar assim. Mas, no fundo, pensam. Eu já apliquei este inventário em alguns pacientes que negaram todas as afirmações, mas durante a terapia, foram apresentando várias delas. Faça um teste com você. Pense sobre cada afirmativa e, com sinceridade, procure observar no dia a dia o quanto você acredita e pauta sua vida por eles.

Por que os pensamentos acima não são bons? Porque são exagerados, deterministas. Não ajudam a ter uma boa imagem de si mesmo, nem do relacionamento com os outros, nem da vida. Se você apresentar três ou mais, existe uma grande chance de ter uma autoestima pouco adequada, graves problemas de relacionamento e sofrer por isso.

Nosso objetivo é transformar as crenças anteriores em formas de pensar mais realistas, como, por exemplo:

1- É extremamente necessário para um ser humano ser aprovado por todos, em tudo o que faz: seria bom ser aprovado nas coisas que fazemos, mas quando isso não acontece, não é o fim do mundo; não é possível agradar a todos, pois os valores são diferentes, os gostos são diferentes e isto é bom!

2- Certos atos são terríveis e pecaminosos e, por isso, devem ser severamente punidos: certos atos não são bons e, por isso, devem ser corrigidos. As pessoas erram porque agem sem pensar, porque são imaturas, porque se precipitam, porque são ignorantes, não porque sejam más. E, por isso, merecem ser perdoadas, orientadas, não castigadas. Ninguém nasceu sabendo!

3- É horrível quando as coisas não estão exatamente do jeito que gostaríamos que fossem: dificilmente as coisas serão exatamente do jeito que gostaríamos. Podemos alcançar bons resultados. Podemos alcançar algum controle sobre certas coisas, mas é impossível que tudo seja exatamente como gostaríamos; a vida não é assim!

4- As desgraças do ser humano são causadas por pessoas e (ou) eventos externos: as desgraças do ser humano podem ser causadas por eventos externos, mas também por nós mesmos. Tudo depende de como nós interpretamos os fatos, as coisas que acontecem. Mais importante do que o fato em si, é a interpretação que fazemos das coisas. Algumas desgraças são consequências de nossas próprias escolhas.

5- Se alguma coisa pode ser perigosa ou amedrontadora, deve-se ficar extremamente perturbado por isso: a preocupação exagerada aumenta o sofrimento e não resolve o problema. A perturbação é fruto de uma interpretação catastrófica. Podemos transformar a perturbação em um desconforto, dependendo de como encaramos as coisas. Fazer tempestade em copo d’água é comum, mas totalmente irracional.

6- É mais fácil evitar do que enfrentar as dificuldades da vida e as próprias responsabilidades: pensar e agir assim é como rolar uma bola de neve. Quanto mais evitamos um problema, mais ele se avoluma. Enfrentar pode não ser agradável, a princípio, mas é o único caminho para andarmos para frente e evoluirmos. Fazer de conta que o problema não existe, não o faz desaparecer.

7- As pessoas sempre precisam de alguém mais forte do que elas próprias para se apoiar: é bom quando podemos contar com o auxílio das pessoas, mas isso não é extremamente necessário em todas as situações. Há situações que podemos e devemos enfrenta-las sozinhos, pois temos condições para isso. Quem se apoia em alguém para tudo, acaba se tornando dependente do outro. Se tirar o apoio, cai. Ajuda, é melhor que apoio.

8- Deve-se ser absolutamente competente, inteligente e merecedor de todo respeito: seguir esta obrigação é como colocar um fardo pesado demais nas costas, impossível de ser carregado. Ninguém consegue ser assim o tempo todo. Como seres humanos, estamos suscetíveis a falhas. Por melhor que sejamos, não iremos agradar a todos; por mais competentes e inteligentes que formos, não iremos conseguir o respeito de todos. Isso é impossível. Só Deus é perfeito!

9- Porque algo afetou fortemente a vida de alguém um dia, vai continuar a afetá-la indefinidamente: existem situações que marcaram profundamente nossas vidas, mas é possível superar tudo, até os piores acontecimentos. Viver em função de algo que já passou é uma decisão, não uma necessidade.

10- Deve-se ter controle absoluto e perfeito sobre todas as coisas: é outra ilusão a que muitas pessoas se apegam. Pode-se ter algum controle, sobre algumas coisas. Há quem sofra muito para aceitar esta realidade.

11- A felicidade humana pode ser adquirida através da inércia e inação: inércia e inação são posturas que frustram, não realizam. Lembremos dos ditados: “Deus ajuda, quem cedo madruga!” e “A felicidade não bate à porta”. Uma vitória é alcançada por uma pequena dose de sorte e muita dedicação, perseverança, empenho e coragem.

12- Não se tem praticamente nenhum controle sobre as próprias emoções. Não se pode controlar as emoções que certos eventos nos causam: o que observamos é exatamente o contrário. Podemos ter muito controle sobre o que sentimos, pois os sentimentos, como já sabemos, são controlados pelos pensamentos e estes, com certeza, podem ser mudados.

E aí? Identificou alguma? Mesmo que você não concorde com elas, a princípio, não significa que não as tenha. Pare, observe, pense bem no que está por trás de sua forma de agir e não tenha medo de mudar sua forma de encarar a vida, pois isto pode trazer grandes benefícios a você! Bom trabalho.

pe_rodrigoArtigo de Pe. Rodrigo Simões. 

Nascido em família católica, desde muito cedo sentiu-se chamado ao serviço do Senhor. Foi ordenado padre no dia 25 de junho de 2004. Formado psicólogo em 2011, adquiriu experiência clínica atuando em consultório particular por quatro anos. Atualmente, conclui especialização em Psicologia Clínica. Desde maio de 2015, atua como Pároco na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Santa Cruz das Palmeiras (SP), diocese de São João da Boa Vista. É colaborador do programa Coração Jovem, da Rede Século 21, ao lado do Pe. Reginaldo Carreira.

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