JPII e os jovens: uma relação especial

Publicado em 26 de abril de 2011 Por Seja o primeiro a comentar!

 

Dom Parmeggiani – Recordo de ser um jovem de 17 anos que pensava em entrar no seminário, estudava geometria e fazia um pequeno projeto após a escola, um dever de casa e, na televisão, apareceu esse Karol Wojtyla e me impressionou imediatamente com as primeiras palavras que disse ao povo na Praça de São Pedro. Tornei-me sacerdote e, em 1985, cheguei a Roma como secretário de Dom Ruini, então secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana (Cei), e comecei a me interesssar também pelas Jornadas da Juventude. Em 1991, Dom Ruini tornou-se cardeal vigário e o segui ao Vicariato, e ali encontrei com João Paulo II.

Durante a festa de Nossa Senhora da Confiança, no Seminário Romano, o seu secretário, agora Cardeal Dziwisz, disse-me: “Precisa fazer algo pelos jovens da diocese de Roma!”. Então, levou-me ao Papa e disse: “Ele tem atitude!”; desde então, começaram aquelas que se tornariam as Jornadas Diocesanas da Juventude, todas as quintas-feiras antes do Domingo de Ramos, oportunidade na qual o Papa desejava que os jovens de Roma, da sua diocese, pudessem encontrar-se com ele.

Quais são, em particular, as recordações que conserva?

Dom Parmeggiani – Algo que me impressionava muito é que antes de todo encontro, o Papa, juntamente com o cardeal vigário, chamava vários colaboradores e nos perguntava sobre o programa, nos perguntava sobre em que ponto deveria insistir, nos pedia conselhos sobre o que dizer e nos dava sugestões. Recordo sempre o seu refrão: “os jovens devem evangelizar os jovens”.

Como pode nos descrever esse relacionamento entre João Paulo II e os jovens?

Dom Parmeggiani – Era um relacionamento pessoal. Ele buscava entrar em diálogo com eles, enquanto falava, desejava falar ao coração de cada um deles. Ele era anticonformista, isto é, o santo é sempre um otimista, não crê que os jovens sejam somente negativos ou incapazes de perceber o belo, o justo, o bom – que quer dizer Deus. Para João Paulo II, nenhum deles era um entre tantos, mas era um ao qual dar atenção, dar uma resposta, ainda que pequena, simples, imediata, mas com o qual ele deseja entrar em relação. E os jovens perceberam isso.

De papa dos jovens a beato dos jovens…

Dom Parmeggiani – Antes o sentiam – os jovens – um papa próximo a eles, que lhes compreendia, que lhes dava segurança nas escolhas que deviam fazer, que dava a eles o sentido do que Deus é. Agora que está prestes a se tornar beato, creio que os jovens percebem que ele está ainda mais próximo a eles, até mesmo os jovens distantes que o viram, que o sentiram falar. Recordo ainda da noite de sua morte, logicamente que voltei à minha casa já bastante tarde naquela noite e, próximo à minha casa, encontrei alguns jovens que não eram do nosso convívio e me perguntaram, vendo-me vestido como sacerdote, se era verdade que o papa tinha morrido e eu disse-lhes: “Sim, infelizmente é verdade”. Eles começaram a chorar e perguntaram-me: “Mas o senhor o conhecia, sabia quem ele era?”. Eles não sabiam quem eu era e eu lhes contei um pouco, não me deixavam mais. Acredito que os jovens ouvindo falar desses testemunhos de amor também por eles, de confiança em relação a eles, também hoje podem se sentir próximos de João Paulo II.

Leonardo Meira, com Rádio Vaticano

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