Geração Y: um novo jeito de se comunicar!

Publicado em 22 de março de 2011 Por Seja o primeiro a comentar!

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Jovens Conectados: Muito se tem falado de Geração Y. O que é essa geração e o que a faz tão diferente, polêmica e tão interessante?

Sidnei Oliveira: A Geração Y é formada por jovens completamente conectados, que possuem uma grande intimidade com as novas tecnologias de comunicação como internet, celulares, redes sociais, etc.

Eles valorizam muito os relacionamentos e buscam participar de experiências inovadoras. Gostam de desafios onde possam usar todo seu potencial e que proporcionem feedbacks rápidos. São mais pragmáticos, contudo perdem o foco com facilidade.

Os maiores desafios acontecem por vivermos em um tempo onde as conexões assumiram conceitos sociais profundos e onde se busca o desenvolvimento de ferramentas que permitem suprir a intensa expectativa por comunicação e relacionamento.

Os jovens que nasceram neste período tiveram o privilégio de desenvolver uma grande intimidade com toda tecnologia de conectividade e portanto se apresentam muito mais preparados para extrair todo potencial deste novo comportamento. Isto é, na maioria das vezes, associado a melhor desempenho e produtividade.

Jovens Conectados: De que forma as redes sociais tem mudado o comportamentos dos jovens dessa geração?

As redes sociais definem todas as manifestações de interação de agora em diante. Ter uma presença, um posicionamento em redes sociais tornou-se absolutamente indispensável para qualquer pessoa ou corporação que queira crescer no mercado.

As alternativas de redes sociais são diversas, especializadas ou genéricas. Todos os segmentos da sociedade estão contemplados na internet.  A dinâmica da rede mundial é extrema e veloz fazendo com que qualquer pessoa ou empresa acabe sendo mencionada de alguma forma, mesmo que indiretamente. Tornou-se um risco muito grande manter um posicionamento de omissão, optando por não aderir as redes sociais.

Optar por não gerenciar as informações que são publicadas é um risco desnecessário, pois os mecanismos são bastante acessíveis e disponíveis. Contudo, este ainda é um território muito novo como ambiente de negócios, por isso a criatividade e inovação será uma característica sempre presente no mundo virtual.

Jovens Conectados: Quais os riscos são perceptíveis em um mundo virtual sem valores?

Sidnei Oliveira: Toda tecnologia que surgiu nos últimos 20 anos afetou completamente o sistema cognitivo desta geração, mas também de todas as pessoas de outras gerações.

O maior impacto é na comunicação. As novas tecnologias estão transformando completamente a linguagem com um novo conceito que é a conectividade.

Todos podem se conectar sem necessariamente se comunicarem. Todo processo de troca de informações agora está sendo adaptado às conveniências pessoais, uma vez que o acelerado ritmo de vida transformou completamente a forma das pessoas estabelecerem suas prioridades.

O maior risco portanto é a fragilização ainda maior nos relacionamentos pessoais, que começam a se mostrar extremamente superficiais e com valores corrompidos. Nosso papel é retomar estes valores e isso começa na família.

Os pais e educadores devem zelar pelos valores humanos dos jovens e dar referências pessoais sem a expectativas que eles sigam estas referências. Por exemplo: uma coisa muito pouco eficaz é dizer a um jovem Gen Y, que “quando era jovem” também sentia coisas semelhantes, por isso optou por algumas escolhas.  Este tipo de argumento costuma ser bastante fraco, pois o cenário do “quando era jovem” certamente era completamente diferente do atual, deixando o exemplo muito fraco.

Uma alternativa a esta situação é se colocar na situação atual do jovem e imaginar – com toda experiência acumulada – como você se comportaria nesta realidade, por mais estranha e absurda que possa parecer.

É importante lembrar que o mundo está bem diferente e muito mais competitivo que no passado. Um jovem de hoje não consegue nem se qualificar como candidato a uma vaga de emprego de qualidade se não tiver um curso superior, falar uma língua estrangeira e tiver completo domínio do computador e internet.  Isso certamente não era necessário há 20 anos, quando os atuais pais, professores e gestores eram jovens.

Jovens Conectados: Qual o papel dos “formadores de opinião” referente as redes sociais?

Sidnei Oliveira: Creio que as redes sociais são apenas novas ferramentas de conectividade e divulgação de ideias.

Cada tipo de veículo de comunicação em massa pode produzir as chamadas “celebridades” ou formadores de opinião. Olhando o fato com uma amplitude maior, devemos lembrar que muitas das celebridades na “Era do Rádio” não conseguiram manter a “fama” enquanto surgiam “formadores de opinião anônimos” na recém criada televisão.

O mesmo aconteceu com os “famosos” do cinema mudo que sucumbiram às celebridades “sem talento” do cinema falado. O melhor exemplo é Charles Chaplin.

Por isso, acredito que cada nova ferramenta tem pessoas que sabem explorar melhor sua presença e se transformam em formadores de opinião. O julgamento que é feito é passageiro. Dentro de 20 anos, ninguém irá achar que uma celebridade na internet é anônima.

Jovens Conectados: Existe algum perfil médio entre aqueles chamados de “nativos digitais”?

Sidnei Oliveira: Não. As possibilidades são inúmeras e cada jovem tem um ritmo para se integrar às novas tecnologias. O que tem chamado a atenção de sociólogos e pesquisadores é que no momento em que começam a definir um perfil, estes jovens se transformam e adotam novos comportamentos. Podemos dizer que esta geração é plural, diversificada e mutante.

Jovens Conectados: Partindo para o lado dos relacionamentos, você acredita que a internet e os sites de relacionamento criam essa superficialidade e acabam aprofundando esse vazio dos jovens?

Sidnei Oliveira: A internet é um catalizador de relacionamentos de formas como nunca antes existiu. A superficialidade acontece por conta da dinâmica que as pessoas adotam em seu dia a dia.

Um bom exemplo desta superficialidade cultural acontece nas  famílias que se encontram apenas em casamentos, aniversários e enterros… Esta superficialidade já existia, a internet está na verdade ajudando a resgatar pelo menos o contato que foi estabelecido em relacionamentos no passado. Em muitos casos ocorre até mesmo a retomada do relacionamento.

Talvez a preocupação deva ser em outro aspecto em que ocorre a maior fragilidade desta geração: fazer escolhas e focar nelas.

Primeiramente precisamos avaliar o cenário que é complexo e dificulta as escolhas. Hoje são inúmeras as possibilidades  que o jovem encontra para decidir sobre seu futuro. Veja o exemplo dos cursos universitários – quando a geração X precisou escolher um curso, tinha aproximadamente 50 possibilidades de carreiras, hoje um jovem encontra mais de 480 carreiras diferentes para escolher.

Outro fator, é que esta geração foi sempre estimulada a “vencer”. Seja no videogame, na escola ou em casa, toda orientação que o jovem teve o pressionava a ser um vitorioso. Ganhar é a única possibilidade aceitável em nossa sociedade.Como fazer escolhas significa “perder” alguma coisa, o jovem tenta evitar tomar decisões.

Jovens Conectados: Deixe uma dica para que o Gen Y saiba aproveitar as oportunidades deste tempo sem perder o que realmente importa.

Sidnei Oliveira: Creio que existem algumas competências que o jovem precisa desenvolver com mais intensidade para ser bem sucedido em suas escolhas:

Paciência e Estratégia – o jovem deseja e pede feedback de todas as suas ações; contudo, esta busca de reconhecimento constante afeta seu desempenho e seu foco nos objetivos, principalmente quando ele a desenvolve com impaciência.

Foco em Inovação – buscar a mudança é uma característica desta geração e um de seus principais instrumentos são os questionamentos. Porém, se isso ocorre sem uma estratégia na forma de apresentar suas perguntas,  é possível que os questionamentos sejam confundidos com confrontamentos, que bloqueiam qualquer possibilidade de mudanças e inovações.

Resiliência – muitas vezes considerada destrutiva nas organizações, uma vez que coloca dúvidas sobre modelos e padrões estabelecidos, esta expectativa precisa ser entendida, não como uma liberação insana e irresponsável , mas sim, como uma busca de flexibilização, cuja melhor manifestação é a informalidade.

Foco em Resultados – esta geração tem foco em resultados desde a primeira vez que aprendeu a brincar com videogames. Os jovens gostam de saber seus resultados e  gostam de compartilhar. A armadilha se instala quando a competitividade destrói os valores e os resultados são alcançados no melhor estilo CQC (custe o que custar).  

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