Carnaval, só uma festa?

Publicado em 17 de fevereiro de 2015 Por Seja o primeiro a comentar!

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O carnaval, sem dúvida, é uma das grandes festas no nosso Brasil. É impressionante o quanto esta data movimenta as cidades, as pessoas, a economia, as escolas e até mesmo as denominações religiosas. Mas o carnaval é só uma festa?

Já nos primeiros dias do ano se falava do pré-carnaval em algumas cidades. Na verdade aqueles que fazem o carnaval acontecer iniciam seus trabalhos logo após o seu término. Nem bem se termina um e logo se iniciam os trabalhos para o próximo.

Por um lado, pensamos no desejo de festejar, no entanto nos últimos tempos passou a ser para muitos uma competição para ver qual será a escola de samba campeã. E, para ser vencedora há um “vale tudo”, com desfiles denegrindo o ser humano, apelando para uma sexualidade promíscua, músicas com desprezo a valores como de uma sadia convivência.

Claro que podemos constatar também muita coisa boa, a beleza das cores, das fantasias, alguns sambas enredos que valorizam a história e que ainda cantam a justiça, a paz. Não tenho dúvida de que muita gente vive bem o carnaval nesse nosso Brasil.

O meu convite é para também olharmos um pouco para a história do carnaval, ‘re-significar’ alguns elementos como por exemplo: a festa, as músicas e o que levamos para a vida.

A festa tem uma origem antiga. Sabe-se que era uma festa pagã, onde dentro da mitologia grega, haviam desfiles de carruagem, algumas pinturas gregas mostravam as pessoas com máscaras e eram recitadas canções ao deus Dionísio.

Na realidade cristã tornou-se uma festa onde se despedia da carne para viver o tempo quaresmal, tempo de abstinência e jejum. Tanto na mitologia quanto no cristianismo o objetivo era a expiação das faltas, uma festa que buscava, pode-se dizer, pensar a vida.

Hoje, se festeja para não pensar nas faltas, na vida e até para fugir dos compromissos. Nesta festa se comete mais faltas ainda, por isso não se trata de proibir ou de não ir a uma festa dessa, mas realmente verificar se ali é possível uma diversão sadia.

Na música ou nos samba-enredo será que é possível termos letras bacanas, que falem da vida, do respeito ou é apenas barulho? As marchinhas de carnaval, os hinos, poderiam ser oportunidades para uma reflexão ao unir “batucada” com uma boa mensagem que chegasse ao coração do povo.

Por último, ao olhar para essa breve noção histórica do carnaval pagão, cristão, sua festa e música, podemos nos questionar: se a festa antigamente tinha essa conotação de alegria e expiação das faltas, será que podemos olhar para o carnaval e vê-lo como algo divertido, festivo, e assim vivê-lo bem? Tratando-o como uma festa, vivendo-o alegremente e ao mesmo tempo conseguir tirar algo para a vida? O que eu levo como mensagem do carnaval para o ano, para a família, para o trabalho, para meu grupo? Que não seja apenas uma festa. Bom carnaval para você!
01_padremarcio-002Por: Padre Márcio do Prado, natural de São José dos Campos (SP), é sacerdote da Comunidade Canção Nova e Vice-reitor do Santuário do Pai das Misericórdias. Ordenado em 20 de dezembro de 2009, cursou Filosofia no Instituto Canção Nova, em Cachoeira Paulista/SP e Teologia no Instituto Mater Dei, em Palmas (TO).

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