Bioética, um desafio também para os jovens

Publicado em 10 de dezembro de 2012 Por Seja o primeiro a comentar!

A professora Lenise Garcia, doutora em microbiologia, estreia coluna no site Jovens Conectados sobre os desafios da Bioética.

Hoje, não é preciso ser estudante de Direito ou das áreas de saúde para ouvir pelos corredores da Universidade, ou mesmo de escolas do Ensino Básico, complexas questões que nos desafiam:

– O aborto é lícito em alguma situação? Como enfrentar o problema do aborto clandestino?

– O mundo está superpovoado? É necessário limitar a natalidade? Quem decide sobre isso?

– Como atender aos casais que não conseguem ter filhos? A reprodução assistida é uma alternativa?

– Quais os limites da biotecnologia? Podemos manipular células humanas? O que dizer das plantas e animais transgênicos?

– Quando a vida termina? Podemos abreviar a morte de um paciente que está sofrendo?

– Quando a vida começa? Podemos falar em dignidade de um ser humano que ainda tem poucas células?

– O que dizer da experimentação de medicamentos em seres humanos?

Diante de tantos questionamentos que se apresentam a nós, não surpreende que, logo no início de seu ministério como Papa, Bento XVI tenha feito o convite para que os estudiosos da Igreja dessem atenção especial aos temas da bioética:

“Convido-vos a seguir com particular atenção os problemas difíceis e complexos da bioética. As novas tecnologias biomédicas interessam não somente a alguns médicos e pesquisadores especializados, mas são divulgadas através dos modernos meios de comunicação social, provocando esperanças e interrogaçõesem setores sempre mais vastos da sociedade”.

Entre os setores interessados na temática estão certamente os jovens. Por isso, o portal Jovens Conectados abre espaço para uma coluna de Bioética, na qual esses temas possam ser gradativamente tratados.

Mas o que é Bioética? Uma nova área do conhecimento? Uma ciência antiga que começa a ter novas aplicações? Sem dúvida, seja qual for a definição que dermos, ela ganhou relevância em função do desenvolvimento de técnicas que envolvem profundamente o ser humano, particularmente na Medicina e na Genética.

A conhecida Encyclopedia of Bioethics (New York 1978, vol. I, p. 19) define-a como “estudo sistemático da conduta humana no âmbito das ciências da vida e do cuidado da saúde, examinada à luz dos valores e dos princípios morais”.

Percebe-se, portanto, que se trata de um “braço” da ética geral. Sua tarefa não é elaborar novos princípios éticos gerais, mas aplicar os princípios existentes ao âmbito das ciências da vida e do cuidado da saúde, em especial aos novos problemas que estão surgindo.

A tarefa não é simples, por diversos motivos. Por um lado, perdeu-se clareza sobre o que sejam valores e princípios morais. Nesse aspecto, o mundo vive hoje uma grande contradição: ao mesmo tempo em que se recupera a necessidade da ética, vivemos uma crise não só de valores, mas uma crise do valor.

Entendemos aqui, por “crise do valor”, uma dificuldade em torno ao próprio conceito do que seja “valor”. Para clarear a discussão, é preciso distinguir entre os aspectos objetivos e subjetivos, ou seja, se algo tem valor “em si” ou se tem valor “para mim”. Esses aspectos não são contrapostos, mas muitas vezes se complementam.

A muitos, a própria palavra moral parece trazer arrepios, como se significasse algo retrógrado e incômodo, ligado a regras e proibições arbitrárias; outros a usam em um sentido tão relativo, tão cambiante, que perde qualquer significado. Assim quando se fala que “isso é uma questão ética”, alguns parecem interpretar como “isso é um assunto em que qualquer um pode dar palpite e ter a opinião que quiser”.

Mas a moral deriva do próprio ser do homem, da sua natureza. E a Igreja, que é “perita em humanidade”, facilita-nos o caminho, indicando princípios que nos ajudam a encontrar a resposta a essas complexas questões. Aprofundar na bioética faz-nos entender melhor a nós mesmos.

Animados para trilhar esses caminhos?

Por LENISE GARCIA Doutora em Microbiologia, professora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília, integrante da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília e da CNBB e presidente do Movimento Brasil Sem Aborto.

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