Aparecida: corações tocados por sua história

Publicado em 19 de maio de 2017 Por Seja o primeiro a comentar!

Ao longo dos 300 anos de Aparecida, muitos corações foram tocados por esta história de fé e Devoção. Confira mais um artigo de nossa Série sobre a história de Nossa Senhora Aparecida, a  “Mãe” do Brasil. 

A narrativa de Nossa Senhora Aparecida não encanta apenas a mim e a você. Ao longo de sua história, a Virgem Aparecida chamou a atenção de inúmeros cientistas, artistas e políticos, principalmente durante o século XIX. Todos que passavam pela Igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida e pela Vila de Guaratinguetá admiravam-se com os relatos dos milagres, com as peregrinações realizadas pelos devotos e com a espiritualidade que envolvia toda a comunidade.

Ao longo desse texto, vamos conhecer algumas personalidades do século XIX que se encantaram com Nossa Senhora Aparecida e com a fé católica do povo brasileiro. Podemos começar com o cientista, botânico francês, Saint-Hilaire, que visitou o povoado de Guaratinguetá e escreveu sobre a movimentação em torno de Nossa Senhora Aparecida: “A imagem que ali se venera passa por milagrosa e goza de grande reputação, não só na região como nas partes mais longínquas do Brasil. Aqui vem ter gente, dizem, de Minas Gerais e Bahia, a cumprir promessas feitas a Nossa Senhora Aparecida”. Diversos cientistas encantaram-se com a movimentação em torno de Aparecida e era comum escreverem sobre as peregrinações, relatando o comportamento dos peregrinos. Para mim, essas informações mostram como fazemos parte de uma grande tradição iniciada há muitos anos por algum grupo de pessoas. Não importa de onde você é, mas sabemos que, de cada canto do nosso país, todos os anos, sai das cidades e paróquia uma peregrinação rumo ao Santuário Nacional de Aparecida.

Outra personalidade importante que passou pela localidade foi o pintor francês Jean B. Debret, em 1827, que deixou sua passagem registrada em um quadro que retrata a cena de uma senhora rica, subindo a ladeira com uma vela na mão e, atrás, seus escravos carregando sua filha doente numa rede.

Cinco anos antes, 1822, Dom Pedro I, em viagem a São Paulo, teria passado em Guaratinguetá no dia 2 de Agosto. O Príncipe Regente visitou a Igreja dedicada à Virgem Aparecida e, no final dessa viagem, ele decidiu proclamar a independência do Brasil, no dia 7 de setembro do mesmo. Seu filho e sucessor do trono, o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina visitaram a capela duas vezes, em 1845 e 1865.

A Princesa Isabel e o Conde d’Eu estiveram na festa de Nossa Senhora Aparecida, no dia 8 de Dezembro de 1868. A princesa era conhecida por sua fidelidade à Igreja Católica e por sua devoção a Aparecida. Por isso, na volta de uma viagem a Minas Gerais, pararam na vila de Guaratinguetá. A viagem foi motivada pelas dificuldades de engravidar de Isabel, indo realizar um tratamento com médicos daquela região. Durante sua estadia em Guaratinguetá, a princesa realizou a oferta de uma coroa de diamantes para a Virgem Aparecida, pedindo a intercessão da Mãe, objeto que é utilizado até hoje na imagem. E o pedido do Conde d’Eu e da Princesa Isabel foi atenciosamente entregue por Maria a Cristo: alguns anos depois, eles tiveram três filhos. É interessante destacar que a coroação de 1904, que proclama Nossa Senhora Conceição Aparecida como Rainha do Brasil, foi feita com a coroa doada pela Princesa Isabel, a qual não chegou a ocupar esse cargo.

Na década de 1890, a congregação redentorista foi designada para cuidar do Santuário de Aparecida. Um dos missionários, o alemão padre Valentim von Riedl, depois de pesquisar sobre a história da aparição de Nossa Senhora e o início da devoção, escreveu uma carta que resume, para mim, os sentimentos e o deslumbramento com a devoção à Virgem Aparecida:

“Nossa Senhora domina verdadeiramente, como Senhora, toda a região. Sua influência, porém, não se limita à região, pois seus devotos vêm de toda a parte do Brasil: do Norte, Sul, Leste e Oeste, alguns viajando meses inteiros, não achando longa demais a caminhada para poderem homenagear a Senhora, agradecer-lhe e pedir graças. No amor à Mãe de Deus, o povo brasileiro está ainda à procura de outro que o iguale. – Não é sem razão que Nossa Senhora é tão amada e invocada; esse amor e essa devoção foram a proteção contra a infidelidade e se tornaram o filão de ouro da sua perseverança na fé católica”.

Independentemente de sua origem e experiências, após o contato com Nossa Senhora Aparecida e com a devoção dos fiéis, cientistas, artistas e até governantes do país conseguiram perceber a força da fé católica no Brasil e a simplicidade da devoção mariana através das romarias. Depois de ler sobre os relatos escritos por essas personalidades, lembro sempre das vezes em que vou em peregrinação a Aparecida e vejo diversas pessoas pagando promessas, realizando pedido em frente à imagem, chegando a pé ou a cavalo após longas jornadas e que buscam consolo no colo de Maria. Vejo a expressão mais viva e verdadeira da devoção brasileira, que já eram realizados e que reproduzimos por reconhecer Nossa Senhora Aparecida como nossa grande intercessora perante Cristo.

Faço a você, neste momento, uma proposta: quando for visitar a Mãe Aparecida, repare nestes pequenos detalhes, observe o fervor da devoção de cada um que está ao seu redor, como isso nos contagia e nos impulsiona a querer estar sempre mais perto de Maria para estar cada vez mais perto de Cristo.

Se a sua história de conversão passou pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, escreva para nós contando!

No próximo artigo, vamos conversar sobre a espiritualidade que envolve Nossa Senhora Aparecida e que sensibiliza a cada um de nós. Espero por você!

Por Jessica Rabello, 
Historiadora e Mestranda da Universidade Federal Fluminense
Arquidiocese do Rio – Vicariato Jacarepaguá – Paróquia Nossa Senhora de Fátima

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