A vida merece ser vivida

Publicado em 10 de junho de 2014 Por 1 Comentário
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Foto: Shutterstock

O Venerável Fulton Sheen – arcebispo norte-americano pioneiro da evangelização por meio da televisão e das fitas cassete (as bisavós dos podcasts, antes ainda da existência da Internet) – fez o seu maior sucesso, com 30 milhões de espectadores em seu programa semanal de televisão, em plenos anos 50. A causa de tanto sucesso? Tratava das coisas simples da vida, e o nome do programa refletia bem: “A vida merece ser vivida”.

É sugestivo o título deste programa, pois por muitas vezes a juventude se vê por demais presa às coisas mundanas, e nem percebe que está deixando a vida passar. As gerações X, Y, Z nasceram ou tornaram-se conectadas, e o lado ruim disso é que a natureza dinâmica desta sociedade digital nos faz perder o aspecto contemplativo e o equilíbrio; transtornos de ansiedade, imediatismo e consumismo são apenas resultados desse desequilíbrio.

Trabalhamos as 44h regulamentares, mais horas extras diárias ou no fim de semana para complementar a renda (ou por demanda de chefes igualmente workaholics), ficamos horas presos no trânsito, depois vamos aos nossos inúmeros compromissos de grupos na Igreja, fora as horas de aula na escola/faculdade, os trabalhos em grupo e as horas na biblioteca, e as respectivas festas e happy hours com os colegas e amigos de todos estes círculos, muitas vezes indo apenas por obrigação social e não realmente motivados.

A chave do problema é que hoje em dia se vive para trabalhar, ao contrário do correto, que seria trabalhar para se viver. Só quando chegamos aos 30 (e aí remeto ao artigo recentemente publicado no Jovens Conectados sobre Cheguei aos 30 e ainda estou solteiro) é que começamos a desacelerar e repensar nossa vida e nossa existência.

Aí neste ponto percebemos que podemos ter perdido uma boa parte da nossa vida e da nossa juventude por estar excessivamente focado no trabalho, em ganhar e gastar dinheiro, (jovem não tem o costume de fazer poupança, e isso afeta depois na velhice; nossas gerações não podem mais contar com a previdência social atual, que está em colapso); em possuir os últimos bens da moda e, mesmo dentro da Igreja, em abraçar o maior número de pastorais ou apostolados simultâneos (abraçar o mundo com as pernas, na sabedoria popular).

Aos 30 já é um tanto tarde, é de um terço para a metade da expectativa de vida dependendo da sua saúde (60-90 anos). E esquecemos de nós mesmos, do nosso bem-estar espiritual e mental, das nossas relações sociais duradouras e das nossas amizades (que, quando muito, ficam restritas aos nossos grupos de ação, e logo se desfazem quando os grupos se reconfiguram ou os amigos passam para outras fases da vida – mudar de cidade, casar, ter filhos).

Não nos damos conta de quanto isso faz mal e quantos problemas de depressão isso causa. Não paramos para respirar, não paramos para simplesmente descansar e esvaziar a mente, em busca de um pouco de silêncio e de paz.

Devemos, portanto, desacelerar, aprender a contemplar as coisas e fatos simples da vida. Fazer uma coisa de cada vez. Desapegar do material. Fazer uma faxina e cortar o supérfluo. Entretanto, não devemos com isso nos acomodar ou aceitar uma vida medíocre, pelo contrário, o mandato é claro: saiamos da nossa zona de conforto, avancemos para águas mais profundas.

Tirar férias. Viajar, conhecer outras culturas, comidas, experiências. Façamos um upgrade nas nossas vidas, pois a vida merece ser vivida, e não simplesmente passar voando por nossos olhos.

rafaelRafael Cresci, 32 anos, é quase bacharel e. Relações Internacionais pela PUC-Rio, ex-agente da coordenação da Pastoral Universitária do Rio, ex-membro do site Veritatis Splendor e atualmente é empresário internacional do setor de Internet.

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