5º Domingo do Tempo Pascal

Publicado em 18 de maio de 2014 Por Seja o primeiro a comentar!

5DomPascoa

At 6,1-7; Sl 32(33); 1Pd 2, 4-9; Jo 14, 1-12

1. Meus irmaos,
celebramos hoje o V Domingo do Tempo Pascal. Passamos, portanto, da metade deste itinerario espiritual, pautado por oito Domingos, que tem a finalidade de aprofundar o sentido mesmo da Páscoa de Jesus Cristo, nosso Senhor, da qual nos veio a nossa salvação. As leituras desta Missa iluminam este nosso itinerario, pra que possamos dar os frutos de salvação que Deus espera de nós.
2. A 1a. leitura, do Livro dos Atos dos Apóstolos, nos mostra o momento em que os Apóstolos instituem o ministério dos diáconos, que depois será compreendido no sacramento da Ordem. Notamos que na comunidade de Jerusalém, a Comunidade-Mãe da Igreja, conviem cristãos de origem judaica e de origem grega. O trecho [que a pouco foi proclamado] nos mostra uma dificuldade vivida nesta concivencia. Os cristãos de origem grega diziam que as suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário (v. 1). Este é o lado aparente do problema. O texto diz que as viúvas de origem grega eram deixadas de lado no atendimento diário, não as de origem judaica. Trata-se de puro preconceito, pois as viúvas de origem grega eram deixadas de lado, não as de origem judaica, de onde provinham os primeiros cristãos. Deus não faz acepcao de pessoas. Nós fazemos. Feliz de quem percebe, para que evite cometer injustiças.

2. Diante do problema configurado dentro da comunidade de Jerusalém, os Doze Apóstolos, entao, discerniram o que fazer, e disseram [como ouvimos]: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra” (vv. 2-4). Os escolhidos são nomeados no trecho que ouvimos: Estêvão, que será o primeiro mártir, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia. A exceão de Felipe, todos os diáconos são de origem grega. De um lado, é interessante notar que foi do meio dos cristaos de origem grega que o problema foi solucionado. Por outro, é mais um sinal da acepção de pessoas na comunidade-mãe de Jerusalém. Repito: Deus não faz acepção de pessoas, mas nós fazemos. Feliz de quem percebe, para que possa evitar de cometer injustiças.

3. Depois da escolha dos sete diaconos, estes foram apresentados aos Apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles (v. 6). Aqui vemos a raiz do gesto sacramental do sacramanto da Ordem, a oração e a imposicão de mãos.
4. A 2a. leitura foi, como nas semanas precedentes, um trecho da Primeira Carta de São Pedro. Novamente é aplicado a Jesus o Salmo 117, que diz que a pedra que fora rejeitada se tornou a pedra angular (v. 7). Disse S. Pedro: “Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus” (v. 4). O Salmo 117 ajudou a primeira geração cristã a compreender a Páscoa de Jesus Cristo, a Sua morte e ressurreição. S. Pedro aplica o Salmo 117 a Jesus, e o faz com que O contemplemos e entremos em comunhao com Ele: “Aproximai-vos do Senhor, pedra viva”!

5. Em seguida, S. Pedro prossegue: “Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (v. 5). Contemplar o Senhor implica em entrar em comunhão com Ele, entrar em comunhão com o Seu sacrificio, com a Sua oblação, e esta comunhão gera a Igreja. Jesus é a pedra angular, e nós, os membros da Igreja, somos as demais pedras deste “edificio espiritual”, que é a Igreja. Por isso, disse S. Pedro: “sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa”.

6. A Igreja prolonga a missao de Jesus nesta terra, ela é o Seu sacramento. A Igreja contém os elementos necessários para a nossa salvação. Assim, em comunhão com Cristo, na Sua Igreja, somos chamados a perseverar na fé e no amor, a fim de darmos os frutos que Deus espera de nós, no dizer de S. Pedro: “a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo”.
7. O Evangelho desta Missa nos traz um outro trecho da “Ultima Ceia”. A Ultima Ceia, bem sabemos, é rica de significados. A Ultima Ceia nos lembra que ela é, de um lado, como que uma despedida de Jesus; do outro, Jesus projeta o futuro de Seu movimento, que é a Igreja, que terá na Eucaristia, naquele momento instituida, o seu fator de unidade, o seu fator de comunhão.

8. O trecho proclamado começa com a seguinte orientaçao de Jesus: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho” (vv. 1-4). Com esta afirmação, Jesus anuncia, mais uma vez, que Sua presence na terra terá fim, e que Ele voltará no fim dos tempos, para concluir a historia da humanidade, e entregar ao Pai o Seu Reino. E, ao entregar o Reino, teremos acesso definitivo ao Reino dos Ceus, às moradas da casa do Pai (v. 2).

9. Nesta ocasião, Tomé perguntou: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” (v. 5). Jesus, entao, respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes” (vv. 6-7). Aqui está o acabamento da revelação de Jesus. Por primeiro, Jesus se apresenta com a fórmula “Eu sou” (cf. Ex 3, 15), manifestando a Sua natureza divina. Jesus também Se apresenta como “o Caminho”, que nós devemos seguir; mas Jesus nao é só alguém exemplar, Ele nos traz o Evangelho que o Pai, que O enviou a anunciar. Por isso, Jesus Se apresenta como a “Verdade”. Mas Jesus nao é só um homem exemplar, Jesus nao é só um preofeta. Jesus é o Filho de Deus que Se fez homem para a nossa salvação. O autor da vida é Quem veio restitui-la depois do Pecado Original. Por isso, Jesus Se apresenta como “a Vida”. Jesus é “o Caminho, a Verdade e a Vida”. E continua: “Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. Jesus foi enviado pelo Pai para a nossa salvação. Através de Jesus conhcecemos o Pai e, seguindo os Seus passos alcançamos a Sua salvação.

9. Na mesma ocasião, disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” (v. 8). Jesus, então, lhe respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai” (vv. 9-12). A pergunta de Felipe parece que mereceu de Jesus uma reprovação. Mas nesta pergunta nos vemos refletidos, pois ninguem está pronto na fé, todos devemos caminhar, e nos deixar moldar por Jesus, Ele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida”. E, neste Caminho, nesta Verdade, e nesta Vida é que entendemos o nosso seguimento a Jesus: seguimos os passos de Jesus porque Ele é o Caminho; acolhemos a Sua Palavra porque Ele é a Verdade; e é d’Ele que recemos a Vida, a vida em abundancia, como meditamos semana passada. Vida plena nesta vida, vida plena na eternidade!

10. Meus irmãos, como eu disse no começo da Missa, já passamos da metade do Tempo Pascal, deste periodo de aprofundamento da Páscoa de Jesus Cristo, da qual nos veio a nossa salvação. Nós confessamos que Jesus Cristo é o nosso Salvador, nós confessamos que Jesus e’ “o Caminho, a Verdade e a Vida”. E, assim, com fé em Jesus, o nosso Salvador, procuramos percorrer o Seu caminho, acolher a Sua Verdade, que nos proporcionam vida, e vida plena na eternidade! Amém!

V. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Por padre Ari Ribeiro – Doutor em Teologia, pároco da paróquia São Galvão, coordenador da catequese da Diocese de Santo Amaro (SP), membro da Equipe Regional do Ensino Religioso – Regional Sul 1 da CNBB.

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