50 anos do golpe militar relembram a atuação dos jovens no período

Publicado em 2 de abril de 2014 Por Seja o primeiro a comentar!

ditadura

O Brasil recorda, nesta semana, os 50 anos do Golpe de 64 que instaurou a ditadura militar no país. Os “anos de chumbo” deixaram marcas e muitos seriam as questões a se ressaltar na política, economia, cultura etc. Contudo, um dos aspectos que mais chamou atenção foi a relevante atuação dos jovens nos movimentos das décadas de 60 e 70. Atualmente, presenciamos também muitas manifestações de motivações variadas, como foi em 2013 e agora em 2014.

Nesta reportagem especial sobre os 50 anos do golpe, você entenderá o porquê dos jovens sempre se apresentarem como protagonistas de movimentos sociais.

O movimentos dos jovens de ontem e de hoje 

26 de junho de 1968. 10 horas da manhã. Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. O sentimento de mudança anima a multidão que marcha pelas ruas da cidade pedindo o fim da ditadura. São jovens estudantes em sua maioria, descontentes com os rumos do país e preocupados com o que o futuro reservaria aos brasileiros. Marcada na história como a “Passeata dos 100 mil”, a manifestação é considerada uma das mais importantes afrontas ao regime.

Desde então o movimento estudantil se tornou a principal forma de oposição ao governo. De acordo com a cientista política, Elizabeth Stein, o envolvimento de jovens em lutas sociais tem uma explicação: “Eles têm tempo, não têm filhos e estão pensando no futuro. Os estudantes, normalmente, possuem mais idealismo e ainda têm esperança, por isso vão à rua primeiro”.

Nas décadas de 60 e 70, as principais reivindicações dos jovens estavam relacionadas à educação. O movimento estudantil se dividiu em grupos como os Diretórios Centrais Estudantis (DCE), as Uniões Estaduais dos Estudantes (UEE) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outras.

O professor de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Daniel Aarão Reis, lembra, no entanto, que nem todos os jovens eram contra a ditadura. “Muitos jovens apoiaram o regime e tantos outros não ligaram para nada. Uma parcela dos estudantes queria mais progredir na sua carreira. Você tinha uma juventude conservadora no país. A idéia de que todos os jovens lutaram contra a ditadura é romântica”.

Jovens voltam às ruas

Em junho de 2013, os brasileiros acompanharam mais uma vez uma onda de manifestações em várias partes do país. Novamente, os jovens foram protagonistas, mas desta vez motivados pela insatisfação com o transporte público, a saúde e a educação. De acordo com especialistas, os protestos atuais foram inspirados nas manifestações do passado. “O espírito é o mesmo. Nos dois períodos você tem jovens pedindo melhorias na educação e em outros setores. Mas, de modo geral, eles tem como objetivo fundamental um retorno para a democracia”, afirma a cientista política.

Se no passado o governo reagiu com prisões às manifestações estudantis (Como exemplo, cinco estudantes foram detidos por distribuir panfletos na Passeata dos Cem mil), a tecnologia impede que abusos sejam repetidos. “Durante a ditadura, você não tem a internet e não tem o celular para gravar tudo. Naquela época, se alguém ficava preso, pode ser que ninguém saberia. Agora, as pessoas que vão para as ruas tem um pouco mais de proteção. Não quer dizer que não haja repressão, mas tem uma reação imediata porque as pessoas logo postam no Facebook e todo mundo já sabe o que está acontecendo”, observa Stein.

Mas e quando os próprios jovens promovem a violência? Thiago Pereira, de Araruama (RJ), condena a atuação de vândalos e baderneiros. “Sou um jovem cristão e não sou a favor da violência nas manifestações. Participei em 2013 no Rio, foi emocionante ver mais de 1 milhão de pessoas na Avenida Presidenta Vargas. Nós católicos temos que nos posicionar, não podemos deixar nosso país seguir este rumo, estamos vivendo uma falsa democracia”, conclui.

Por Leonardo Souza, repórter da TV Canção Nova

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